Pequeno aumento na proteção pode reforçar resistência dos mangais às alterações climáticas

A investigação indica que não são necessárias grandes expansões das áreas protegidas para fortalecer estes ecossistemas costeiros — bastará uma planificação mais estratégica.

Redação

Um pequeno aumento das áreas protegidas de mangais pode trazer benefícios significativos para a proteção das zonas costeiras face às alterações climáticas, incluindo a subida do nível do mar. A conclusão resulta de um estudo internacional liderado pela Universidade de Queensland e publicado na revista Nature Communications.

A investigação indica que não são necessárias grandes expansões das áreas protegidas para fortalecer estes ecossistemas costeiros — bastará uma planificação mais estratégica. Segundo os autores, aumentar em apenas 7,3% a área protegida de mangais poderia tornar a rede global destes habitats 13,3% mais resiliente às mudanças climáticas.

O estudo foi liderado por Alvise Dabalà, doutorando na Escola do Ambiente da Universidade de Queensland. “Os mangais são viveiros essenciais para muitas espécies de peixe e importantes reservatórios de carbono, além de protegerem as zonas costeiras de tempestades e erosão”, explica o investigador. “No entanto, são particularmente vulneráveis à subida do nível do mar e ao desenvolvimento costeiro”, alerta.

Atualmente, cerca de 43% dos mangais do mundo já se encontram em áreas protegidas, mas essas zonas nem sempre coincidem com os locais mais adequados quando se consideram os impactos futuros das alterações climáticas.

Para o estudo, os investigadores combinaram mapas da distribuição global de mangais com um modelo que estima a probabilidade de perda destes ecossistemas em cenários futuros de mudança climática. A equipa comparou depois dois cenários de conservação: um modelo convencional e outro baseado numa abordagem “climaticamente inteligente”, que privilegia áreas com maior probabilidade de resistir às alterações ambientais.

Os resultados mostram que proteger zonas onde os mangais têm maior probabilidade de sobreviver no futuro, e não apenas onde existem atualmente, pode aumentar significativamente a resiliência destes ecossistemas.

O estudo sublinha também que as estratégias de conservação devem diferenciar as margens terrestres e marítimas dos mangais, uma vez que enfrentam pressões distintas. No lado voltado para terra, por exemplo, infraestruturas como estradas ou construções podem impedir que os mangais avancem para o interior à medida que o nível do mar sobe.

Segundo os autores, garantir espaço para essa migração natural poderá ser fundamental para a sobrevivência destes habitats a longo prazo.

A investigação destaca ainda a importância da cooperação internacional na proteção destes ecossistemas. O planeamento conjunto entre países pode proteger mangais mais resilientes usando uma área total menor do que estratégias nacionais isoladas.

Para Anthony Richardson, coautor do estudo, a metodologia utilizada poderá ser aplicada a outros ecossistemas vulneráveis. “Sempre que existam dados sobre distribuição e resiliência climática, esta abordagem pode ajudar a preparar outros habitats para os impactos das alterações climáticas”, afirmou.

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