Uma dieta rica em vegetais e frutas está associada à redução do sofrimento psicológico, segundo uma análise detalhada dos dados de uma sondagem de saúde realizada com mais de 45.000 australianos.
O estudo realizado por investigadores da QUT sediados no Instituto de Investigação Translacional (TRI) de Brisbane descobriu que as pessoas que consumiam menos de uma porção de vegetais por dia tinham 1,6 vezes mais probabilidades de sofrer de sofrimento psicológico em comparação com aquelas que consumiam cinco ou mais porções por dia.
Sofrimento psicológico é um termo genérico que abrange depressão, ansiedade e estresse.
A primeira autora do estudo, Kerri Gillespie, da Escola de Ciências Clínicas da QUT, descobriu que o benefício do consumo de vegetais parecia ser maior nas mulheres.
“As mulheres parecem continuar a beneficiar dos vegetais na sua dieta até cinco ou mais porções por dia, enquanto que para os homens o benefício parece atingir o pico em cerca de três ou quatro porções por dia”, afirma Gillespie.
O estudo também descobriu uma correlação entre o consumo de frutas e a redução da prevalência de sofrimento psicológico, mas principalmente para as mulheres e apenas até duas porções diárias.
A última autora do estudo, a professora Selena Bartlett, da Escola de Ciências Clínicas da QUT, disse que as descobertas foram inesperadas.
“As descobertas são extremamente significativas porque se trata de um estudo australiano com uma amostra muito grande de mais de 45.000 pessoas. É muito empolgante”, diz Bartlett.
“Correlação nunca é causalidade e temos que ter cuidado com isso, mas raramente pensamos profundamente sobre como a dieta afeta nossa saúde psicológica, e acho que essa é a beleza do estudo”, adianta.
Gillespie conduziu um segundo estudo sobre a associação entre dieta e saúde mental com base numa pesquisa online com adultos saudáveis.
“Descobrimos um padrão interessante entre o consumo de refrigerantes açucarados e o risco de depressão”, revela Gillespie.
“Beber sete ou mais copos de refrigerante por semana aumentava as chances de depressão em quase cinco vezes”, aponta.
Por outro lado, acrescenta, “parece haver uma relação entre uma dieta rica em fibras e uma ansiedade ligeiramente menor”.
Gillespie alerta que o estudo se baseou numa amostra de apenas 129 pessoas, mas mostrou padrões que poderiam ser observados numa amostra maior.
Bartlett diz que o trabalho de Gillespie reforçou as evidências de uma ligação entre a alimentação e a saúde mental.
“Foi a curiosidade em fazer estas perguntas que levou à elaboração destes artigos”, explica.
“Não estamos de forma alguma a dizer que comer mais vegetais é uma cura para a saúde mental, mas esta investigação apoia as mensagens de saúde existentes que recomendam dietas ricas em vegetais e pobres em açúcar”, sublinha.
“Esperamos que este trabalho ajude o público e melhore a saúde e o bem-estar, que é o nosso papel aqui no Instituto de Investigação Translacional”, conclui Bartlett.









