A população de coalas que vive no Richmond Range National Park, no estado de Nova Gales do Sul, manteve-se estável ao longo da última década, apesar de ter enfrentado tanto o período mais seco como o mais chuvoso de que há registo na região.
A conclusão resulta de um estudo conduzido por investigadores australianos, que prolongaram por mais dois anos — entre 2022 e 2023 — um programa de monitorização iniciado oito anos antes. O objetivo foi perceber de que forma os episódios climáticos extremos poderiam ter afetado esta população de coalas.
Segundo os autores, os dados recolhidos ao longo de dez anos não revelam variações significativas no número de animais. Esta estabilidade poderá indicar que o habitat do parque nacional oferece condições particularmente favoráveis à espécie, mesmo em contextos meteorológicos adversos.
Os investigadores admitem, contudo, que a longevidade dos coalas pode também ajudar a explicar a ausência de oscilações abruptas. Sendo animais com um ciclo de vida relativamente longo, as mudanças populacionais tendem a ocorrer de forma gradual.
O estudo sublinha ainda que o conhecimento científico atual sobre a dinâmica das populações de coalas continua a ser limitado. Programas de monitorização prolongados são raros e, muitas vezes, os dados disponíveis são influenciados por intervenções de conservação, como translocações ou ações de reforço populacional, que dificultam a leitura da evolução natural dos efetivos.
Os autores defendem, por isso, a necessidade de projetos de acompanhamento a longo prazo, que permitam avaliar com maior rigor o impacto das alterações climáticas e de outros fatores ambientais sobre uma das espécies mais emblemáticas da Austrália.









