À medida que as populações de baleias-de-bossa recuperam da exploração intensiva da caça comercial, os machos mais velhos estão a tornar-se mais bem-sucedidos nas estratégias de reprodução. A conclusão resulta de um estudo realizado no Pacífico Sul por uma equipa de investigadores que acompanhou estes cetáceos ao longo de quase duas décadas.
Os cientistas analisaram baleias-de-bossa nas áreas de reprodução da Nova Caledónia durante 19 anos. Nesse período, a população masculina na zona de estudo quintuplicou e passou de uma estrutura dominada por indivíduos jovens para uma distribuição etária mais equilibrada.
Os dados revelam que, quando a população era mais reduzida, os machos mais jovens tinham maior protagonismo reprodutivo. No entanto, com o crescimento do número de baleias, os machos mais velhos passaram a ser observados com maior frequência a cantar — um comportamento associado à atração de fêmeas — e a acompanhar fêmeas, aumentando as probabilidades de paternidade.
Segundo os autores, o sucesso inicial dos machos jovens, numa fase em que a população se encontrava fragilizada, poderá ter desempenhado um papel crucial na preservação da diversidade genética. Esse “efeito tampão” terá ajudado a mitigar as perdas genéticas num período particularmente crítico para a sobrevivência da espécie.
O estudo reforça a importância da recuperação populacional não apenas em termos numéricos, mas também na reconstituição das dinâmicas sociais e reprodutivas naturais das baleias-de-bossa no Pacífico.









