A Venezuela é considerada o país com as maiores reservas de crude (petróleo não refinado) do mundo. Terá sido precisamente isso que motivou a investida dos Estados Unidos da América contra a liderança do país sul-americano no passado dia 2 de janeiro.
Num relatório publicado no ano passado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEC), em 2024 estimava-se que a Venezuela teria reservas equivalentes a algo como 303,3 mil milhões de barris de crude, representando cerca de 17% da oferta global.
Atrás vêm a Arábia Saudita, com 267 mil milhões, o Irão, com 208,6 mil milhões, o Iraque, com 145 mil milhões e os Emirados Árabes Unidos, com 113 mil milhões. Esse é o Top 5 dos países com as maiores reservas de petróleo.
Por que razão é a Venezuela tão rica em petróleo? A resposta está na sua história geológica.
À revista ‘Scientific American’, Luis Zerpa, engenheiro a Faculdade de Minas do Colorado (Estados Unidos da América), explica que, do ponto de vista geológico, o país está “na localização perfeita”.
A Venezuela é influenciada pela placa tectónica das Caraíbas, pela placa da América do Sul e pela placa de Nazca, explica Zerpa. A interação entre todas essas placas deu origem à porção norte da cordilheira dos Andes, bem como a outras regiões elevadas, e, ao mesmo tempo, criou três bacias sedimentares nas quais petróleo e gás se formaram: uma no nordeste da Venezuela, outra no noroeste e ainda uma terceira a oeste.
Por todas essas características é que a Venezuela tem mais de 300 mil milhões de barris de crude nas suas reservas subterrâneas. É possível que a mudança de regime provocada pela intervenção norte-americana venha a abrir essas reservas à exploração e, com isso, libertar todos os gases com efeito de estufa que nelas estão, por agora, aprisionados.
Embora o nível de nível de emissões dependa de muitas variáveis, como a composição do próprio petróleo, estima-se que, em média, um barril de petróleo pode libertar cerca de 434 quilogramas de dióxido de carbono equivalente.
Para saber quanto dióxido de carbono será libertado na atmosfera se as reservas venezuelanas forem retiradas do solo, basta multiplicar esse número por 303 mil milhões de barris. Numa altura de agravamento da crise climática, e de todos os efeitos que ela provoca, libertar para o ar biliões de quilogramas de gases com efeito de estufa poderá ser a gota de água que fará transbordar o copo.
A ‘CNN’ avança que o petróleo da Venezuela é mais espesso e tem uma concentração especialmente elevada de gases com efeito de estufa, pelo que a sua extração exige maiores quantidades de energia. Além disso, a grande quantidade de enxofre nele contido torna a sua refinação mais difícil e cara e, claro, mais ambientalmente impactante.
Como se não bastasse, especialistas ouvidos pelo órgão de comunicação norte-americano dizem que a infraestrutura petrolífera da Venezuela é antiga e não está nas melhores condições, pelo que são muito maiores os riscos de fugas de metano, de flaring e de derrames.








