“Prática cruel”: Autoridades brasileiras apreendem mais de 1,5 toneladas de barbatanas de tubarão

De acordo com o a informação emitida, o local onde decorreu a apreensão funcionava como uma espécie de unidade de secagem e preparação das barbatanas, muito procuradas pelo tráfico internacional para mercados alimentares e de medicina tradicional. O local foi encerrado pelas autoridades.

Filipe Pimentel Rações

A Polícia Federal brasileira, em conjunto com o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), apreendeu mais de 1.583 quilogramas de toneladas de barbatanas de tubarão de várias espécies, incluindo ameaçadas de extinção.

A operação decorreu no passado dia 12 de fevereiro no município de Rodelas, estado da Bahia, no nordeste do Brasil, no que é descrito como uma “ação de repressão a crimes ambientais”.

Barbatanas apreendidas durante ação coordenada do Ibama, Polícia Federal e Inema. Foto: Inema.

De acordo com o a informação emitida, o local onde decorreu a apreensão funcionava como uma espécie de unidade de secagem e preparação das barbatanas, muito procuradas pelo tráfico internacional para mercados alimentares e de medicina tradicional. O local foi encerrado pelas autoridades.

Foram detidos quatro cidadãos brasileiros, incluindo um adolescente, e três nacionais chineses, que foram autuados e responderão judicialmente por crimes contra a fauna e por corrupção de menores.

As evidências recolhidas estão a ser analisadas, mas pensa-se que algumas das barbatanas provenham de espécies como o tubarão-azul (Prionace glauca, também conhecido como tintureira), classificado como “Quase Ameaçado” na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, e o tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum), classificado com o estatuto global de “Vulnerável”.

A operação resultou também na detenção de sete pessoas: quatro cidadãos brasileiros, incluindo um adolescente, e três nacionais chineses. Foto: Divulgação/Ibama.

Explica o Ibama que as barbatanas são frequentemente obtidas através de um processo chamado “finning”, em que as barbatanas são removidas do animal ainda vivo, que é depois lançado ao mar, onde, sem conseguir nadar, acabará por afoga-se.

É uma “prática cruel e responsável por severos impactos ambientais”, diz a agência ambiental brasileira, “especialmente em espécies ameaçadas de extinção”.

Embora a legislação do Brasil proíba a captura intencional de tubarões e considere como crime o armazenamento, o transporte ou a comercialização de partes desses animais sem autorização, “a atividade é potenciada pela lucratividade extrema do mercado internacional”, explica a Polícia Federal.

Partilhe este artigo


Nova Edição

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.