Os tubarões-da-gronelândia (Somniosus microcephalus) são considerados os animais vertebrados mais longevos da Terra, podendo ir mesmo além dos 400 anos de idade.
Vivem nas profundezas marinhas, encontrados normalmente entre os 400 e os 700 metros abaixo da superfície (embora haja registos perto dos 3.000 metros), e nas águas gélidas do Ártico, embora também possam ser avistados nas águas mais temperadas do Atlântico norte.
Por passarem as suas vidas em ambientes envoltos em penumbra, durante muito tempo pensou-se que os tubarões-da-gronelândia seriam praticamente cegos, mas uma nova investigação científica vem revelar que não só têm uma boa visão, adaptada ao mundo sombrio em que vivem, como também são capazes de mantê-la durante mais de 100 anos.
Muitas vezes, os olhos dos tubarões-da-gronelândia estão infetados com parasitas que sacodem na água como fitas enquanto o animal se move pela água, outra razão que, aparentemente, dava suporte à ideia de que seriam mesmo cegos.
Mas num artigo publicado este mês na revista ‘Nature Communications’, um grupo de cientistas, liderado pela Universidade de Basileia, na Suíça, e pela Universidade da Califórnia em Irvine, nos Estados Unidos da América, revelou algo inesperado.
Ao estudarem os olhos de tubarões-da-gronelândia capturados e eutanasiados para fins de investigação científica entre 2020 e 2024, o mais velho com mais de 130 anos de idade, percebeu-se que algo na genética peculiar desses animais, talvez o mesmo “algo” que lhes permite viver durante tanto tempo, ajuda-os a reparar a degradação das suas retinas. Assim, conseguem manter uma boa visão durante séculos.
“Os nossos resultados são consistentes com a presença de um sistema visual preservado e funcional nos tubarões-da-gronelândia adultos, que parece bem-adaptado a condições de extremas de reduzida luminosidade”, escrevem os investigadores.
E acrescentam que os dados recolhidos apontam para a contribuição de “mecanismos de reparação de ADN na manutenção da integridade da retina durante séculos”.
Os autores do artigo dizem que é “notável” o facto de não terem, nos olhos analisados, sinais de degradação da retina, “dado que mesmo num envelhecimento saudável, as retinas dos vertebrados (incluindo as dos humanos) sofrem uma perda progressiva de fotorrecetores e danos no ADN ao longo do tempo”.









