Projeto be@t reforça circularidade em mais 89 empresas do setor têxtil

Segundo dados revelados por Elsa Faria, diretora da Academia CITEVE, até fevereiro deste ano participaram no programa de formação-ação 89 empresas com 72 projetos já concluídos com 100% de sucesso. E outros 28 projetos deverão estar concluídos até maio próximo.

Redação

Especialistas e líderes industriais debateram ontem, no CITEVE, a transformação do setor têxtil e de vestuário rumo à bioeconomia sustentável, no âmbito do workshop “Do Conhecimento à Circularidade” integrado no projeto be@t, foi divulgado em comunicado.

O evento foi oportunidade para a apresentação dos resultados do Programa de Formação e Assistência Técnica em Empresas e para o lançamento dos novos Guias de Boas Práticas para o Desenvolvimento de Produtos Circulares.

Segundo dados revelados por Elsa Faria, diretora da Academia CITEVE, até fevereiro deste ano participaram no programa de formação-ação 89 empresas com 72 projetos já concluídos com 100% de sucesso. E outros 28 projetos deverão estar concluídos até maio próximo.

Das empresas que participaram até agora no programa, 80,9% (72) são da Região Norte, 15,7% (14) da Região Centro e 3,4% (3 empresas) da Área Metropolitana de Lisboa.

O programa superou as metas de capacitação, registando um aumento de 99,7% no nível de conhecimento dos participantes, de acordo com Elsa Faria. “A formação-ação provoca mudança real dentro das empresas”, destaca a responsável, sublinhando que a metodologia aplicada (baseada no modelo PDCA – Plan>Do>Check>Act) permitiu transferir conhecimento técnico e transformá-lo em ações concretas em quatro eixos fundamentais: Pessoas, Visão e Estratégia, Processos e Produtos, e Posicionamento e Comunicação.

Tendo em conta que “não há sustentabilidade e circularidade sem pessoas comprometidas com a mudança”, Elsa Faria apontou como focos a nível das pessoas o desenvolvimento de novas competências (em sustentabilidade, circularidade, ecodesign e ecoengenharia), a adoção de novas atitudes (comportamentos proativos e responsáveis) e o aumento da autonomia e capacidade de liderança.

Reforço de conhecimento e planeamento estratégico são as mudanças a nível da visão e estratégia, enquanto os benefícios nos processos e produtos assentam na prioridade dada a um menor impacto ambiental, ou seja, na valorização do design para a circularidade, da escolha de materiais mais sustentáveis de base biológica, da maior eficiência na gestão de recursos, da redução do desperdício e da avaliação do ciclo de vida.

Quanto às mudanças no Posicionamento e Comunicação, contemplam a preocupação com a rastreabilidade, preparação para reportar, comunicação responsável e transparente, uso estratégico de certificações e rótulos e a assunção da sustentabilidade como vantagem competitiva. “A transição não acontece por obrigação; acontece quando faz sentido para o negócio”, conclui Elsa Faria.

Novas ferramentas para a bioeconomia

Outro dos momentos importantes da tarde foi a apresentação do “Circular – Guias de Boas Práticas para Demonstradores Circulares” (acessíveis em formato .pdf), conduzida por Rosa Maria Silva, engenheira química e especialista do CITEVE em Tecnologia e Engenharia Tinturaria, Acabamentos e Colorimetria.

Os guias foram concebidos para apoiar as empresas no desenvolvimento de produtos demonstradores circulares, abrangendo “Boas práticas para a bioeconomia” (Vol. I), “Vestuário” (Vol. II), “Calçado” (Vol. III) e “Têxteis Compósitos” (Vol. IV). Estes volumes sistematizam soluções de materiais de base biológica e reciclados, além de orientações sobre ecodesign, ecoengenharia e enquadramento legal, garantindo que os novos produtos tenham sucesso comercial e sustentabilidade em todas as fases do ciclo de vida (idealização, produção, distribuição, uso e fim de vida), numa abordagem holística e fundamentada.

Diálogos sobre o futuro

O programa do workshop contou ainda com painéis de debate sob o mote “Diálogos que transformam”, envolvendo representantes de empresas e entidades como Casa da Malha, Grupo Twintex, Lameirinho e Benoli, além de instituições como a Universidade da Beira Interior, Forestwise, ESAD e CTCP. As discussões tiveram contributos da investigadora do CITEVE Raquel Santos e da coordenadora do be@t, Carla Silva, que dirige o Departamento de Química e Biotecnologia do CITEVE.

Carla Silva e o diretor geral do CITEVE, António Braz Costa, encerraram o workshop reforçando o compromisso da instituição em continuar a transferir conhecimento crítico para fortalecer a competitividade da Indústria Têxtil e de Vestuário (ITV) portuguesa no quadro do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

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