A nova rede de áreas marinhas protegidas nos Açores tem capacidade para ser uma “ferramenta importante” no combate às alterações climáticas, além de poder “alavancar a economia” regional, defenderam ontem especialistas.
“Não acho que haja motivos nenhuns válidos que impeçam que a zona marítima seja um alavancar da economia açoriana – e só refiro os Açores porque neste caso estamos a falar dos planos Açores – se forem respeitados princípios básicos (…) mesmo com 30% do mar protegido”, afirmou à agência Lusa Mário Pontes, da Associação Portuguesa de Estudos da Conjuntura e Estratégia.
O economista falava após ter feito uma apresentação sobre os aspetos geoeconómicos do parque marinho dos Açores na sexta edição do Fórum LPAZ, que decorre na ilha de Santa Maria.
Mário Pontes salientou que a proteção de 30% do mar dos Açores segue as diretivas das Nações Unidas e significa que “ainda resta 70%” de um “património” que pode ser explorado nas áreas do turismo, “pesca sustentável” ou serviços.
“Esta estratégia que foi alavancada pelo plano poderia trazer um volume de negócios e um aumento da economia dos Açores capaz de otimizar recursos que existem em abundância”, reforçou.
O consultor e auditor de Defesa Nacional considerou que a criação de áreas marinhas protegidas nos Açores apresenta uma “concretização estratégica”, alertando, contudo, para a necessidade da sua implementação.
“Se nós não o fizermos, podemos correr o risco de virem outros fazê-lo. É património dos Açores em primeira linha e de Portugal em segundo linha”.
Já o físico teórico Cláudio Gomes, do Okeanos – Instituto de Investigação em Ciências do Mar da Universidade dos Açores, defendeu, em declarações à agência Lusa, que a preservação do mar é uma “ferramenta importante” para combater as alterações climáticas.
“A preservação dos oceanos tem de ver, essencialmente, com a preservação do nosso planeta. Isto é importante ficar bem ciente. O nosso planeta não existe de segmentos isolados que não interagem. Antes pelo contrário”, sublinhou.
O investigador lembrou que os oceanos estão a reter níveis mais elevados de dióxido de carbono, causando “distúrbios” com “repercussões em toda a cadeia alimentar chegando até ao Homem”.
“Imaginarmos que o Homem é distinto e isolado de todo o resto não é sério. Um reforço de áreas marinhas protegidas tenta auxiliar neste desiderato de encontrar um equilíbrio que mantenha as condições físicas, químicas, biológicas para a manutenção da vida”, salientou o também investigador do Centro de Física das Universidades do Minho e do Porto.
Em 17 de outubro de 2024 foram aprovadas as alterações propostas pelo Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) ao decreto legislativo que estrutura o Parque Marinho da região, estabelecendo a criação de áreas marinhas protegidas em 30% do mar do arquipélago.
As alterações, previstas entrar em vigor no final de setembro, estabelecem como Áreas Marinhas Protegidas 30% do mar dos Açores, abrangendo 287 mil quilómetros quadrados. Metade desta área será totalmente protegida e a outra metade terá nível de proteção alta.
Entretanto, o PS/Açores deu entrada na Assembleia Regional de uma proposta para permitir a pesca de salto e vara em zonas protegidas, levando o líder do Governo Regional a apelar aos socialistas para retirarem a iniciativa.
O Fórum LPAZ, organizado pela associação LPAZ, que se dedica a valorizar o património aeroportuário da ilha de Santa Maria, junta mais de 30 especialistas para discutir o Atlântico e a posição geoestratégica dos Açores.








