O uso de purificadores portáteis de ar com filtro de partículas de alta eficiência (HEPA) em casa pode reduzir significativamente a pressão arterial sistólica (PAS) em adultos com leituras basais elevadas — mesmo em áreas com níveis relativamente baixos de poluição atmosférica geral, de acordo com um estudo publicado na JACC, a revista científica da American College of Cardiology.
As partículas em suspensão (PM) são um dos principais contribuintes para a poluição do ar e estão fortemente associadas a doenças cardiovasculares (DCV). Pessoas que vivem perto de estradas com tráfego intenso são frequentemente expostas a níveis elevados de PM provenientes das emissões dos veículos, bem como do desgaste dos pneus e dos travões. Estas partículas finas podem infiltrar-se nas casas e afetar os residentes, aumentando o risco de hipertensão e pressão arterial elevada — ambos fatores de risco importantes para DCV.
“A hipertensão arterial continua a ser um dos fatores de risco modificáveis mais importantes para as doenças cardiovasculares”, afirma Douglas Brugge, Ph.D., M.S., professor e presidente do Departamento de Ciências da Saúde Pública da UConn Health e principal autor do estudo. “Esta investigação vem reforçar as evidências crescentes de que intervenções simples, como a filtragem do ar em casa, podem ajudar a melhorar a saúde cardíaca das pessoas em risco”, acrescenta.
Neste ensaio cruzado aleatório com 154 adultos que vivem perto de autoestradas, os participantes foram aleatoriamente designados para receber um mês de filtragem HEPA ou simulada (os mesmos purificadores de ar com o filtro removido) nas suas casas, seguido por um período de “lavagem” de um mês sem filtragem e, em seguida, o tratamento alternativo. As medições da pressão arterial e os questionários dos participantes foram recolhidos no início e no final de cada período.
Os investigadores descobriram que os participantes que entraram no estudo com PAS elevada (>120 mmHg) tiveram uma redução média de 2,8 mmHg na PAS após um mês de filtragem HEPA. Em comparação, a PAS aumentou ligeiramente (0,2 mmHg) durante um período de filtragem simulada, resultando numa diferença significativa de 3,0 mmHg a favor da filtragem HEPA. Não houve impacto significativo na pressão arterial diastólica ou entre os participantes com PAS normal (<120 mmHg).
“Existem provas irrefutáveis dos efeitos nocivos para a saúde da exposição ao PM2,5, mesmo em níveis inferiores aos padrões atuais dos EUA”, afirma Jonathan Newman, M.D., M.P.H., professor associado de medicina (cardiologia) no Departamento de Medicina da NYU Grossman School of Medicine, diretor de investigação clínica no Centro de Prevenção de Doenças Cardiovasculares e principal autor do comentário editorial que acompanha o artigo. “Como profissionais de saúde, devemos educar o público e apoiar políticas que protejam o ar limpo e melhorem a saúde de todos os americanos”, adianta.
Harlan M. Krumholz, M.D., S.M., editor-chefe da JACC, observou que o estudo levanta a possibilidade de que mesmo melhorias modestas na qualidade do ar interior possam ter um impacto significativo na pressão arterial de pessoas em risco.
“Embora sejam necessárias mais pesquisas, estes resultados sugerem que o que respiramos em casa pode ser importante para a nossa saúde cardiovascular”, diz Krumholz.
As limitações do estudo incluem a generalização limitada devido a um grupo de participantes predominantemente branco e de rendimento mais elevado, a exclusão de pessoas que tomam medicamentos para a pressão arterial e a falta de dados durante os meses mais quentes do verão ou em momentos de maior poluição interior.









