Quercus quer dados mensais mais detalhados sobre uso da água nas barragens

A Quercus defende que os portugueses devem passar a ter acesso mensal a informação mais detalhada sobre os fins a que se destina a água armazenada nas barragens nacionais.

Green Savers

Num comunicado divulgado a 22 de fevereiro, a associação ambientalista apela à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para reforçar a transparência na gestão e monitorização das albufeiras.

Após uma sequência de tempestades que provocou danos significativos em várias regiões do país — e perante as quais a Quercus manifesta solidariedade com os afetados — as barragens portuguesas encontram-se atualmente em níveis máximos de armazenamento.

Para a associação, trata-se de um cenário “absolutamente extraordinário” num país cada vez mais vulnerável à escassez hídrica, o que torna essencial garantir que esta abundância seja gerida de forma eficiente e transparente.

Informação mensal mais detalhada

Atualmente, a APA disponibiliza dados através do portal Info Água. No entanto, a Quercus considera que é necessário ir mais longe e tornar públicos, com periodicidade mensal, elementos adicionais como:

  • Duração prevista do armazenamento de água, indicando quantos meses ou anos as reservas atuais permitem enfrentar uma situação de seca extrema, mesmo sem precipitação;

  • Percentagem de água utilizada por setor e por barragem, detalhando:

    • consumo humano;

    • indústria;

    • agricultura (incluindo necessidades de rega em cenários de seca extrema);

    • produção de energia hidroelétrica.

Segundo a associação, a produção de energia hídrica aumentou 17,8% desde o início do ano, tornando as empresas do setor beneficiárias diretas das recentes cheias. Nesse contexto, a Quercus defende que estas entidades devem contribuir para o fundo público de apoio a futuras catástrofes, através de uma sobretaxa sobre lucros extraordinários.

Transparência para uma gestão mais eficiente

Para a Quercus, a divulgação pública e regular destes dados permitiria:

  • Fiscalizar consumos e identificar ineficiências setoriais;

  • Avaliar perdas ambientais e económicas associadas à ausência de medição;

  • Contabilizar eventuais perdas indevidas de receitas;

  • Identificar oportunidades de melhoria na gestão hídrica;

  • Garantir maior transparência na gestão de um recurso essencial.

A Associação Ambientalista desafia ainda a APA a “reativar o Conselho Nacional da Água, parado há três anos”, propondo a convocação urgente de um plenário com especialistas para discutir a gestão da água em Portugal.

Num contexto de crescente pressão sobre os recursos hídricos, a associação considera que esta poderá ser uma oportunidade decisiva para repensar a política da água no país e reforçar os mecanismos de acompanhamento público.

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