Rinocerontes de volta a parque no Uganda mais de 40 anos depois de o último ter sido morto por caçadores furtivos

A operação de reintrodução desses animais arrancou oficialmente no passado dia 17 de março e está a ser coordenada pela Autoridade de Vida Selvagem do Uganda.

Filipe Pimentel Rações

Os rinocerontes estão de regresso ao Parque Nacional de Kidepo Valley, no nordeste do Uganda, 43 anos após esses grandes mamíferos herbívoros terem sido exterminados por caçadores furtivos que procuravam a sua carne e os seus chifres para venderem nos mercados negros.

Uma operação de reintrodução desses animais arrancou oficialmente no passado dia 17 de março e está a ser coordenada pela Autoridade de Vida Selvagem do Uganda.

“Este momento marca o início de uma nova história dos rinocerontes no Parque Nacional de Kidepo Valley”, disse James Musinguzi, diretor-executivo da agência ugandesa na manhã do dia 17, quando dois rinocerontes-brancos-do-sul (Cerathoterium simum simum) foram transferidos de um santuário para o parque, ao qual chegaram na madrugada do dia seguinte. Dizem as autoridades ugandesas que será transferido um total de oito rinocerontes no âmbito desta operação de reintrodução.

“A translocação destes rinocerontes é o primeiro passo na devolução de uma espécie que em tempos fez parte do património natural do parque. Com o tempo, mais rinocerontes serão introduzidos para gradualmente reconstruir uma população viável e próspera em Kidepo”, afirmou Musinguzi.

Entre o final dos anos 1970 e o início da década seguinte, caçadores furtivos aproveitaram-se da instabilidade no Uganda para caçar rinocerontes indiscriminadamente no Parque Nacional de Kidepo Valley, o que resultou no total extermínio da espécie nessa área. Foi em 1983 que o último rinoceronte foi aí morto, mais especificamente no vale do rio Narus, que atravessa o parque.

Os esforços para devolver os rinocerontes a essa região começaram já em 2005, com a criação de um programa de reprodução em cativeiro no santuário Ziwa Rhino Sanctuary. Nessa altura, já o rinoceronte-branco-do-sul fora declarado extinto na Natureza no Uganda.

Depois de décadas de esforço, esse país africano tem agora 61 desses rinocerontes, informa a Autoridade de Vida Selvagem, que espera que o regresso da espécie ao parque “fortaleça a conservação da biodiversidade, melhore o potencial turístico do parque e contribua para os esforços mais amplos do Uganda para recuperar espécies selvagens ameaçadas dentro dos seus ecossistemas históricos”.

A entidade ugandesa explica que a reintrodução foi precedida por um estudo sobre a viabilidade da ação, contando com uma avaliação da qualidade ecológica dos habitats e com a criação de condições de segurança. Esse estudo identificou o Parque Nacional de Kidepo Valley como um dos locais mais adequados para a reintrodução dos rinocerontes, sendo formado por uma extensa savana praticamente prístina.

Partilhe este artigo


Nova Edição

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.