Business Service Centers em Portugal aumentam e a procura pelo sustentável também

A consultora imobiliária internacional Savills apresentou hoje o seu estudo “Portugal no Radar dos Business Service Centres (BSC): a Atratividade do Mercado Imobiliário, Edição 2021“, numa sessão onde revelou alguns dados sobre o mercado imobiliário de escritórios e o seu crescimento no país.

Como começou por explicar Alexandra Gomes, Head of Research da Savills Portugal, estes Business Service Centres (BSC) – em português, Centros de Serviços Partilhados – são estruturas mais globais que incluem outsourcing, shared services e offshoring, que permitem o “aumento da qualidade por via da otimização dos processos” bem como a “melhoria do nível de serviços, aliada a uma redução dos custos operacionais”. Os dados indicam que Portugal se apresenta como um mercado bastante atrativo para a implementação de empresas internacionais, justificando-se esta atratividade pela localização estratégica, pela qualidade dos recursos humanos nacionais, pela existência de um clima de estabilidade política e de paz social, por existir uma infraestrutura robusta de conetividade e pela aposta na inovação e transição digital.

Nos últimos cinco anos, verificou-se uma taxa de crescimento anual de 14% do número de centros no país. Em Portugal, contam-se atualmente 175 BSC: 111 em Lisboa, 50 Porto, 9 Braga e 5 Aveiro. Estes números traduzem-se em 12.549 postos de trabalho e 158 projetos IDE (Integrated Development Environment/Ambiente de Desenvolvimento Integrado).

Na hora de comprar um imóvel para escritórios, a eficiência e a sustentabilidade são elementos cada vez mais procurados. A implementação de sistemas inteligentes de gestão de gastos energéticos, a crescente sinergia entre as vertentes utilitária e de bem-estar, e a transformação de espaços de escritórios em verdadeiros lugares de convívio com elementos representativos do meio ambiente (como jardins interiores) pesam cada vez mais na decisão dos investidores, como formas de aumentar o bem-estar dos seus colaboradores, de atrair e reter talento e clientes e de promover uma atmosfera de produtividade aliada à criatividade.

A aplicação de critérios de sustentabilidade nos edifícios traz muito mais vantagens do que desvantagens, explica Nuno Fideles, Arquiteto e Sustainability Consultant da Breeam AP. Este tipo de investimento tem 80% de impacto positivo na satisfação dos ocupantes, 60% de impacto positivo no valor do edifício em termos de mercado, 20% no aumento do valor do rendimento, 18% no aumento do valor de venda dos edifícios, e tem apenas um custo adicional de 2 a 4% no investimento base de um projeto tradicional, sendo que, se a decisão for feita na génese do projeto, esse custo pode chegar a ser inferior a 1%.

Assim, o investimento da certificação de sustentabilidade dos edifícios permite, entre outras vantagens, reduzir custos operacionais e acrescentar valor ao imóvel. A taxa de ocupação nos 12 meses seguintes aumenta em 9,3%. Como Nuno Fideles sublinha, esta mudança “já não é um ‘nice to have‘, é um ‘must have‘”.

Existem 4 certificações reconhecidas no mercado internacional, a LEED e a BREEAM, métodos de avaliação do impacto ambiental dos edifícios, a WELL – método de avaliação do impacto ambiental dos edifícios na saúde e bem-estar dos seus ocupantes, e por fim a LiderA, um sistema de avaliação da sustentabilidade português.

Foi ainda dado o exemplo do edifício de escritórios MB4, em Lisboa, que resulta de um trabalho conjunto entre a Savills e um investidor internacional. O edifício reabilitado será sustentável e eficiente, tendo em conta pontos como a alteração da rede elétrica, a instalação de novos sistemas de ar condicionado e de ventilação, a utilização de energias verdes e renováveis, a adaptação a pessoas de mobilidade reduzida, a monitorização de todo o espaço, introdução de soluções de eficiência hídrica e a disponibilização de opções de mobilidade e transporte sustentáveis.

Em matéria de sustentabilidade, a Savills já conquistou um lugar na linha da frente nesta tendência em Portugal, tendo sido a primeira empresa no país a ter dois arquitetos acreditados com os certificados BREEAM AP e WELL AP. Este ano, a consultora imobiliária internacional também se tornou membro e subscreveu a Carta de Princípios do BCSD Portugal – Empresas para a Sustentabilidade e juntou-se a outras 119 empresas no Pacto de Mobilidade Empresarial para a cidade de Lisboa, contribuindo para uma mobilidade mais sustentável na capital do país.

Patrícia de Melo e Liz, CEO da Savills Portugal, refere “a sustentabilidade tem estado na nossa lista de prioridades, tendo já um portefólio relevante de instalações por nós realizadas que contribuem para uma melhoria das condições técnicas que reduzem a pegada ecológica. (…) É imperativo que não abrandemos a aposta, que cada vez mais se vai fazendo sentir, na transformação dos nossos edifícios, em imóveis mais sustentáveis, mais agradáveis para os seus utilizadores e mais flexíveis para que um maior número de pessoas de diferentes áreas de negócio e modus operandi, os possam utilizar.”

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