Secas severas reduzem crescimento e aumentam taxa de mortalidade de árvores na Amazónia

Durante o último século, períodos de seca severa têm causado uma ligeira redução do crescimento do diâmetro das árvores na Amazónia, bem como noutras regiões tropicais. A falta de água e temperaturas altas fizeram também aumentar em 10% a taxa de mortalidade das árvores.

Redação

Durante o último século, períodos de seca severa têm causado uma ligeira redução do crescimento do diâmetro das árvores na Amazónia, bem como noutras regiões tropicais. A falta de água e temperaturas altas fizeram também aumentar em 10% a taxa de mortalidade das árvores.

Se os períodos de calor extremo forem sendo cada vez mais prolongados e frequentes, como indicam as previsões climáticas, é muito provável que o haja uma diminuição mais acentuada do crescimento das árvores e um aumento da mortalidade.

O alerta é feito por um conjunto de cerca de 150 cientistas num artigo publicado recentemente na revista ‘Science’. Nele, analisam os anéis dos troncos de 163 espécies de zonas tropicais e subtropicais para perceberem os impactos das secas desde 1930. Mais especificamente, examinam a espessura desses anéis em mais de 10 mil árvores do Brasil e outros países para determinarem os efeitos das secas extremas e do aquecimento global no crescimento dessas plantas.

Apesar de a falta de água e do calor diminuir o seu crescimento, as árvores recuperam o seu ritmo de desenvolvimento na estação húmida seguinte.

“Desde 1930, o crescimento nos períodos de seca intensa diminuiu, em média, 2,5%, mas as plantas cresceram normalmente na estação chuvosa seguinte”, explica, em nota, Peter Groenendijk, da Universidade Estadual de Campinas (Brasil) e um dos autores do estudo internacional.

A retoma do crescimento depois de secas severas foi registada mesmo em ambientes com climas muito quentes, como o bioma da Caatinga brasileira. Ali, a redução do crescimento em anos de seca chegou aos 10% no último século, mas as árvores voltaram a crescer normalmente quando a chuva voltou a cair.

No entanto, os cientistas alertam que as secas severas e os períodos de calor intenso estão a tornar-se cada vez mais duros e mais frequentes, e isso poderá extravasar a capacidade de resiliência das árvores a esses fenómenos climáticos extremos.

“Caso essa tendência se acentue com as alterações climáticas, a mortalidade das árvores e as emissões de gases com efeito de estufa podem aumentar”, avisa Groenendijk.

Os cientistas estimam que o aumento de 10% da taxa de mortalidade das árvores resultou num aumento das emissões de gases com efeito de estufa equivalente às emissões de um país como a Alemanha.

Menos numerosas e com troncos menos espessos, devido a interrupções no seu desenvolvimento, as árvores, e as florestas que constituem, absorvem menos dióxido de carbono da atmosfera, pondo ainda mais pressão sobre os esforços de combate à crise climática.

Este trabalho teve por base a análise dos anéis sem cortar as árvores, através de pequenas amostras com entre um e três centímetros de comprimento recolhidas dos troncos com uma broca manual ou motorizada.

Amostras de anéis de espécies tropicais de árvores.
Foto: Peter Groenendijk / Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Os cientistas asseguram que o processo de amostragem, embora atravesse o tronco, não põe em causa do desenvolvimento das árvores, que recuperam desse tipo de lesão.

“Se a temperatura subir demais e as secas se tornarem mais intensas, as árvores mais velhas devem começar a morrer e as mais jovens a viver menos tempo”, alerta Giuliano Locosselli, da Universidade de São Paulo e coautor do artigo.

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