Investigadores australianos sugerem que a sobrepesca pode estar a contribuir para o aumento de surtos da estrela-do-mar-coroa-de-espinhos, uma espécie conhecida por causar danos significativos nos recifes de coral, incluindo na Grande Barreira de Coral.
Num estudo recente, a equipa comparou diferentes zonas da Grande Barreira de Coral com níveis distintos de restrições à pesca — áreas de proteção total (onde a pesca é proibida), zonas com pesca limitada e zonas sem restrições. Os resultados mostram que, nas áreas de proteção total, a probabilidade de as estrelas-do-mar serem predadas é 3,6 vezes superior à registada em zonas onde a pesca é permitida e 2,8 vezes superior em comparação com áreas de pesca limitada.
Segundo os investigadores, esta diferença está fortemente associada à presença de uma única espécie predadora: o Lethrinus nebulosus. Esta espécie apresenta uma biomassa 6,3 vezes maior nas áreas sem pesca do que nas zonas exploradas, aumentando significativamente a pressão predatória sobre a estrela-do-mar-coroa-de-espinhos.
A estrela-do-mar-coroa-de-espinhos é considerada uma das principais ameaças naturais aos recifes de coral, alimentando-se diretamente do coral vivo e contribuindo para a degradação dos ecossistemas marinhos. Os surtos populacionais desta espécie têm sido associados, até agora, sobretudo a fatores como o aumento de nutrientes nas águas costeiras e as alterações climáticas.
Os autores do estudo defendem que os resultados reforçam a importância das áreas marinhas protegidas e do papel dos grandes peixes predadores no equilíbrio dos ecossistemas dos recifes. A redução dessas espécies, causada pela pesca excessiva, poderá estar a remover um controlo natural essencial sobre populações destrutivas para o coral.
A investigação acrescenta novos argumentos ao debate sobre a gestão sustentável da pesca e a conservação dos recifes, sublinhando que proteger os predadores pode ser tão importante como intervir diretamente no controlo das estrelas-do-mar.









