Tecnologia ao Serviço da Sustentabilidade
Por Filipe Silva, Sustainability Expert da valantic
A sustentabilidade deixou de ser uma tendência e tornou-se uma exigência global. No entanto, para muitas empresas, especialmente as PME, adotar práticas sustentáveis ainda parece um desafio distante, algo reservado a grandes corporações com vastos recursos.
Democratizar a sustentabilidade significa tornar essas práticas acessíveis, escaláveis e integradas à realidade de todos os agentes da cadeia de valor.
A sustentabilidade deve ser olhada como um valor humano e social, um princípio que orienta as nossas decisões, relações e responsabilidades. Quando a incorporamos como um valor fundamental, deixa de ser uma obrigação e transforma-se num compromisso assumido por todos: empresas, Estado, famílias e, em última análise, cada indivíduo. Torna-se essencial criar condições para que esta responsabilidade seja uma oportunidade ao alcance de todos, e não um privilégio de poucos.
A evolução tecnológica deve servir, acima de tudo, para melhorar a vida das pessoas, tendo sempre como princípio basilar que essa melhoria deve andar de mãos dadas com o valor humano que é a sustentabilidade. A tecnologia é, na minha opinião, a peça que faltava para que, enquanto sociedade, nos tornemos verdadeiramente sustentáveis. Um exemplo simples disso que nos deixa a pensar é: quantas árvores não foram poupadas pela invenção da pen drive? A tecnologia pode, quando bem usada, pode ter um impacto na sociedade.
A transformação digital é o primeiro passo rumo à sociedade sustentável que todos aspiramos. Ser mais produtivo significa fazer mais com menos, ou seja, produzir mais valor utilizando menos recursos. Hoje, sistemas como ERP, SCM e CRM permitem-nos monitorizar com maior precisão as operações, identificar desperdícios, otimizar o uso de recursos e promover uma gestão mais inclusiva e consciente da sociedade que nos rodeia.
Estamos a assistir a uma mudança de mentalidade, atualmente a sustentabilidade já não é apenas uma obrigação legal, mas uma decisão estratégica. O consumidor está mais atento, informado e exigente no seu processo de compra, uma vez que considera o impacto ambiental e social da marca antes de adquirir o que necessita. Neste contexto, a transparência tornou-se um ativo essencial, as velhas estratégias de marketing que apenas pareciam verdes já não são suficientes, agora as empresas têm de demonstrar que o são. Neste caso, ferramentas como o SAP Green Token permitem essa rastreabilidade e transparência em toda a cadeia de valor, reforçando a confiança do consumidor.
A tecnologia é, portanto, essencial para tornar essa rastreabilidade uma realidade tangível.
Mas a transformação digital não é apenas tecnológica, é cultural. Não se trata de fazer o mesmo com ferramentas novas, mas de repensar processos, redesenhar modelos e adotar novos princípios. Entre eles, o regresso à economia circular, um conceito que, embora antigo, representa o futuro da sustentabilidade. Estas mudanças, mesmo que pareçam pequenas, têm um impacto enorme, uma vez que tornam as cadeias de produção mais sustentáveis, mais resilientes e também mais rentáveis.
O rápido avanço tecnológico — seja pela automação, pela inteligência artificial ou pela monitorização em tempo real — abre caminho a um controlo mais rigoroso sobre o consumo energético, as emissões e a eficiência global. Hoje, conseguimos detetar ineficiências antes invisíveis e propor medidas corretivas imediatas. Estas tecnologias libertam-nos das tarefas repetitivas, permitindo que nos concentremos naquilo que nenhuma máquina substitui: a criatividade humana. Os recursos são finitos, mas é esta criatividade que os torna, de certo modo, ilimitados.
A sustentabilidade, porém, não se constrói apenas com tecnologia, esta exige colaboração, conhecimento e cultura. A democratização da sustentabilidade passa pela cooperação entre empresas, instituições e cidadãos. Neste contexto, o investimento em formação e sensibilização é fundamental para que este valor se torne parte da cultura de todos. A tecnologia é o meio, mas as pessoas são e serão sempre o motor da mudança.
A sustentabilidade é um bem comum, não um privilégio de alguns. Temos de fazer melhor, para que a inovação e o progresso cheguem a todos. Só assim a tecnologia cumprirá o seu papel mais nobre: servir a humanidade e garantir um futuro verdadeiramente sustentável.
