Tecnologia de startup portuguesa ajudou a antecipar inundações e a proteger populações durante as recentes tempestades em Portugal

A empresa opera de forma discreta, mas tem vindo a assumir um papel determinante no apoio aos municípios, disponibilizando tecnologia capaz de identificar a subida dos níveis de água e sinalizar situações críticas antes de ocorrerem transbordos.

Redação

As recentes tempestades associadas às depressões Kristin, Leonardo e Marta provocaram cheias, extravasamentos de rios e inundações urbanas em vários pontos do país, colocando à prova serviços municipais e operacionais de proteção civil. Em vários concelhos, porém, a resposta foi marcada por uma mudança estratégica: a antecipação do risco com base em dados recolhidos em tempo real.

No centro dessa transformação está a greenmetrics.ai, uma startup tecnológica portuguesa fundada em 2022 por três antigos alunos do Instituto Superior Técnico, especializada em sistemas inteligentes de deteção e monitorização de inundações. A empresa opera de forma discreta, mas tem vindo a assumir um papel determinante no apoio aos municípios, disponibilizando tecnologia capaz de identificar a subida dos níveis de água e sinalizar situações críticas antes de ocorrerem transbordos, explica em comunicado.

Segundo a mesma fonte, atualmente, a empresa trabalha com 11 municípios: Lisboa, Oeiras, Cascais, Porto, Maia, Guimarães, Loures, Odivelas, Tavira, Loulé e Torres Novas. Através de uma rede de sensores instalados em ribeiras, pontes e zonas historicamente vulneráveis, e de uma plataforma de análise de dados hidrológicos, o sistema envia alertas em tempo real para os responsáveis operacionais, permitindo decisões rápidas e fundamentadas.

O último mês, particularmente marcado por fenómenos meteorológicos extremos, evidenciou a importância desta abordagem. Em vez de uma atuação reativa, dependente de alertas da população, vários serviços municipais passaram a posicionar equipas no terreno, cortar acessos e proteger infraestruturas antes de a água extravasar.

Na Maia, um alerta recebido durante a madrugada levou ao encerramento imediato de uma rua que viria a ficar submersa horas depois. A inundação confirmou-se na manhã seguinte, sem registo de danos. Em Cascais, a monitorização da Ribeira das Vinhas permitiu emitir um primeiro aviso cerca de uma hora e vinte minutos antes da inundação do Largo de Camões, dando tempo a comerciantes do centro histórico para protegerem os seus estabelecimentos. Um segundo alerta, já a cerca de 20 minutos do pico, reforçou a necessidade de ação imediata.

Também em Oeiras, sensores instalados em afluentes da ribeira da Laje e na ribeira de Barcarena possibilitaram a mobilização preventiva de equipas e o encerramento atempado de acessos pedonais em zonas de risco, evitando situações potencialmente graves.

A tecnologia tem igualmente impacto na gestão de recursos. Em locais afastados dos centros operacionais — como pontes ou viadutos — as verificações constantes implicavam deslocações demoradas e mobilização permanente de meios. Com a monitorização remota, os operacionais passam a intervir apenas quando os dados indicam risco efetivo, sabendo também quando é seguro reabrir acessos.

Em Guimarães, Tavira e Torres Novas, os responsáveis municipais destacam a poupança de meios humanos e o reforço da segurança das equipas. No caso de Loures e Odivelas, a partilha de dados em tempo real tem permitido compreender melhor a dinâmica das cheias associadas à subida do Tejo, antecipando situações de retorno de água em zonas ribeirinhas. A articulação entre municípios tem-se revelado particularmente relevante num contexto em que os fenómenos naturais não respeitam fronteiras administrativas.

Com base na informação recolhida, a empresa está agora a desenvolver algoritmos preditivos com recurso a inteligência artificial, com o objetivo de emitir alertas probabilísticos antes da iminência do perigo. A ambição passa por permitir ações ainda mais preventivas, como limpeza antecipada de sumidouros, cortes planeados de vias ou, em cenários extremos, evacuações organizadas.

Paralelamente, a tecnologia está a ser testada num projeto-piloto com a Infraestruturas de Portugal, focado na monitorização de estradas nacionais suscetíveis a acumulação de água, visando reduzir riscos para a mobilidade e a segurança rodoviária.

Fundada em 2022, a greenmetrics.ai dedica-se ao reforço da resiliência climática de cidades e infraestruturas através de sensores inteligentes e sistemas avançados de análise de dados ambientais. Presente em Portugal e no Brasil, a startup encontra-se atualmente em processo de expansão para outros mercados europeus.

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