Tendências ESG para 2026: Apesar de pressões e contratempos, empresas vão continuar no caminho da sustentabilidade

Esta terça-feira, num evento online promovido pelo Conselho Empresarial Português para o Desenvolvimento Sustentável (BCSD Portugal), especialistas analisaram o que aconteceu em 2025 em termos de sustentabilidade e o que se pode antever para 2026.

Filipe Pimentel Rações

As empresas continuarão a investir na sustentabilidade dos seus negócios, mesmo num contexto de pressões políticas no sentido inverso e de simplificação de obrigações de reporte ao nível europeu.

Esta terça-feira, num evento online promovido pelo Conselho Empresarial Português para o Desenvolvimento Sustentável (BCSD Portugal), Manuel Mota, especialista em sustentabilidade na consultora EY, traçava previsões sobre ESG para o ano que agora decorre.

Referindo que as revisões à diretiva europeia de reporte de sustentabilidade corporativa, a CSRD, deixaram de fora muitas empresas, Manuel Mota acredita que mesmo essas continuarão no trilho da sustentabilidade. Isso, porque sabem que há oportunidades em mitigar os seus impactos e em adaptar-se aos riscos emergentes, como as alterações climáticas.

Além disso, estão cientes das vantagens de mostrar o que fazem na área da sustentabilidade, que se traduz em ganhos de reputação e, em consequência, ganhos financeiros, especialmente com clientes e consumidores, e também investidores, mais exigentes em termos de responsabilidade ambiental e social das empresas.

Nesse seguimento, os relatórios de sustentabilidade continuarão também a ser tendência em 2026, com as empresas a perceberem que tal não se trata apenas de uma responsabilidade, e de uma obrigação no caso das que ainda estão abrangidas pela CSRD, mas também por proporcionar vantagens estratégicas.

A descarbonização será igualmente tendência este ano, alinhando-a com os esforços de inovação e competitividade. Os planos de descarbonização setoriais servirão como catalisador para as empresas.

Por fim, o foco no financiamento sustentável continuará a seguir em força, com as instituições financeiras cada vez mais atentas ao desempenho das empresas nos indicadores ESG e na sustentabilidade em geral.

Manuel Mota, da EY, considera que a sustentabilidade tem de deixar de ser vista como “uma questão de crença” e ser entendida como prioridade e estratégia de negócio, com medidas como a implementação da circularidade e a eficiência energética a serem formas concretas para se conseguirem reduções efetivas de custos.

Para o especialista, as empresas têm de conhecer bem o seu universo de clientes e consumidores e salienta a importância da segmentação. Ou seja, as empresas têm de identificar os segmentos de consumidores e clientes que poderão estar mais disponíveis para pagar mais por um produto ou serviço que, apesar de mais sustentável, possa ser mais caro.

“Nem todos estarão disponíveis para pagar mais”, reconhece, mas defende que é importante que as empresas saibam onde estão esses segmentos.

Dessa forma, entende que a questão não é se um produto ou serviço é mais caro, mas sim que as empresas saibam onde estão as pessoas dispostas a pagar mais pela sustentabilidade. A par disso, Manuel Mota diz que as empresas têm também de saber identificar oportunidades de mercado para os seus produtos e serviços sustentáveis.

O que aconteceu em 2025

Durante o encontro, houve também oportunidade para olhar para o ano que terminou há quase um mês. Tiago Carrilho, diretor de Conhecimento e Formação do BCSD Portugal, declara que 2025 foi um ano que “marcou muito a sustentabilidade” e que impulsionou um maior alinhamento entre capital, riscos e dados.

Tiago Carrilho destaca que a sustentabilidade “entrou no motor da economia” e que 2025 deixou claro que “não alcança o sucesso apelando à ética, mas sim quando impacta claramente produtos e custos”.

Tal como se advinha para 2026, no ano passado as empresas mantiveram o rumo da sustentabilidade apesar de pressões políticas e incertezas e assistiu-se ao amadurecimento dos financiamentos que têm questões ambientais e climáticas como pilar.

Numa nota mais negativa, Tiago Carrilho salienta que 2025 ficou marcado por uma lacuna na execução da sustentabilidade, ou seja, “sabemos o que estamos a fazer”, mas ainda não estamos a fazer o que devíamos. Os dados existem, mas não decidem sozinhos, afirma.

Além disso, o especialista diz também que os relatos de sustentabilidade parecem estar mais otimizados, mas as prioridades continuam a não mudar a refletir a realidade e necessidade de mudança, e que a ambição nem sempre se traduz em algo de concreto.

Foi igualmente possível perceber uma maior preponderância da adaptação em detrimento da mitigação, o que sugere, diz Tiago Carrilho, que começa a ser cada vez mais difícil mitigar os efeitos das crises ambientais e que o pensamento agora está a focar-se mais no que fazer para conseguir lidar com essas realidades que parecem cada vez mais inevitáveis.

Com esse pano de fundo, o especialista destaca a importância das competências e da formação nas várias áreas da sustentabilidade, de um pensamento estratégico que reconheça que não há soluções perfeitas e que é preciso fazer mais com menos, e de uma liderança que saiba e esteja disposta a fazer as escolhas difíceis.

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