Um em cada 15 atendimentos nas urgências da capital da Austrália ligados a temperaturas extremas

As temperaturas extremas — tanto o calor como o frio — estão a levar milhares de habitantes de Camberra aos serviços de urgência todos os anos, e a situação deverá agravar-se com as alterações climáticas.

Redação

As temperaturas extremas — tanto o calor como o frio — estão a levar milhares de habitantes de Camberra aos serviços de urgência todos os anos, e a situação deverá agravar-se com as alterações climáticas. A conclusão é de um novo estudo liderado pela Universidade Nacional Australiana (ANU), publicado na Australian and New Zealand Journal of Public Health.

A investigação é a primeira a analisar de forma sistemática o impacto das temperaturas extremas nas idas às urgências no Território da Capital Australiana (ACT), uma região conhecida por verões muito quentes e invernos rigorosos. Os investigadores cruzaram dados meteorológicos históricos com registos hospitalares entre 2000 e 2021 e usaram cenários climáticos para estimar a procura futura dos serviços de emergência.

Os resultados mostram que quase 36 mil episódios de urgência nesse período estiveram associados ao calor, o que corresponde a cerca de 2,5% de todas as admissões — uma em cada 40. Com o aquecimento global, este número poderá aumentar para cerca de 90 mil atendimentos entre 2040 e 2061.

O frio, no entanto, continua a ser o principal fator climático associado às idas às urgências na região. Mais de 57.600 atendimentos (4% do total) foram relacionados com temperaturas baixas ao longo das duas décadas analisadas. Embora a proporção de casos associados ao frio deva diminuir à medida que os invernos se tornem mais amenos, os investigadores estimam que ainda assim o frio poderá causar mais de 81 mil idas às urgências entre 2040 e 2061.

“No ACT, as admissões nas urgências aumentam tanto quando as temperaturas são elevadas como quando descem abaixo dos 14 graus”, explica Michael Tong, investigador da ANU e autor principal do estudo. “No total, o tempo extremo foi responsável por cerca de um em cada 15 atendimentos.”

O impacto varia consoante a idade. Crianças e jovens com menos de 20 anos são significativamente mais propensos a recorrer às urgências em dias muito quentes, geralmente no próprio dia. Adultos entre os 20 e os 60 anos apresentam risco acrescido tanto em situações de calor extremo como moderado. Já as pessoas com mais de 60 anos revelam maior vulnerabilidade após episódios de frio intenso, embora também estejam em risco durante ondas de calor.

Para Hilary Bambrick, diretora do Centro Nacional de Epidemiologia e Saúde da População da ANU, o estudo reforça que as alterações climáticas representam um dos maiores desafios de saúde pública da atualidade. “Mesmo pequenos aumentos da temperatura local podem tornar as pessoas doentes e aumentar a pressão sobre os hospitais”, sublinha. “Garantir a segurança das populações num clima mais quente e preparar os sistemas de saúde para responder a esta carga adicional são agora prioridades urgentes.”

Os especialistas alertam ainda para a importância da prevenção durante períodos de calor extremo, recomendando que a população se mantenha bem hidratada, evite atividades ao ar livre nas horas mais quentes, procure locais frescos, esteja atenta a sinais de mal-estar e acompanhe pessoas mais vulneráveis, como idosos, crianças e vizinhos isolados.

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