Uma hiena-castanha (Parahyaena brunnea) solitária a vaguear à noite pela aldeia abandonada de Kolmanskop, na Namíbia, olha diretamente para a câmara do fotógrafo Wim van den Heever, com uma casa em ruínas imponente como pano de fundo.
Essa foi a imagem que venceu o grande prémio do Wildlife Photographer of the Year 2025, considerada a maior competição internacional de fotografia de vida selvagem, anualmente promovida pelo Museu de História Natural de Londres, no Reino Unido.
A fotografia que arrecadou o primeiro lugar, intitulada “Ghost Town Visitor” (“Visitante numa Cidade Fantasma”, numa tradução livre para português) capta o que o júri do concurso descreve como a capacidade para a vida selvagem reconquistar terras depois de serem abandonadas pelos humanos.
“Continua a ser uma aldeia? A mim parece-me que sim, simplesmente já não é nossa”, diz, citada em comunicado Kathy Moran, presidente do júri.
Membro da espécie mais rara de hienas, as hienas-castanhas são animais de hábitos noturnos e predominantemente solitários. São conhecidas por atravessarem Kolmanskop em direção à costa sudoeste da Namíbia, onde caçam focas ou se alimentam de carcaças de animais que dão à costa do deserto do Namibe.
O fotógrafo sul-africano Wim van den Heever notou pela primeira vez indícios da presença de hienas-castanhas nessa cidade, que outrora albergava caçadores de diamantes, há cerca de 10 anos. Desde então tem tentado captar imagens desses animais esquivos. Usando tecnologia de foto-armadilhagem, finalmente conseguiu, valendo-lhe o “ouro” na competição fotográfica.
Um besouro na destruição
O primeiro prémio da categoria juvenil, com 17 ou menos anos de idade, do Wildlife Photographer of the Year 2025 foi para o italiano Andrea Dominizi. A fotografia, com o nome “After the Destruction” (“Depois da Destruição), mostra um besouro da espécie Morimus asper, conhecido pelas suas longas antenas, num tronco de uma árvore em primeiro plano, enquanto ao longe, desfocada, se vê uma máquina abandonada de corte de árvores.

A imagem foi captada nas montanhas Lepini, no centro de Itália, e conta duas histórias: uma de destruição de habitat e outra do ciclo da vida. Esses besouros, tal como outros membros do grupo, alimentam-se de madeira morta, ajudando a reciclar nutrientes e a manter o ecossistema saudável e funcional.
“Uma imagem repleta de narrativa e de importância, assim como de detalhes. Uma fotografia cativante, mas angustiante, que incentiva o espectador a refletir sobre a natureza dessa relação tensa”, refere Andy Parkinson, membro do júri.
“Espero que esteja imagem, tão bela e bem composta, estimule conversas, discussões e a aceitação de que precisamos de desviar-nos do nosso rumo atual, pois não são apenas os nossos futuros que estamos a colocar em risco.”
Esta é a 61.ª edição do Wildlife Photographer of the Year, que contou com 60.636 candidaturas, o maior número de sempre, de 113 países.
As fotografias selecionadas pelo júri nas várias categorias serão agora expostas no Museu de História Natural de Londres, numa exposição que se estende de dia 17 de outubro até 12 de julho do próximo ano.









