Verdes europeus dizem que Europa deve liderar a corrida às tecnologias limpas face ao recuo climático de Trump

“Ao censurar a ciência climática na Agência de Proteção Ambiental dos EUA, o Presidente Donald Trump está a transformar os Estados Unidos num petroestado, precisamente no momento em que a Europa e a China estão a orientar a economia global para energias renováveis baratas”, afirmou Ciarán Cuffe.

Redação

Os co-presidentes do Partido Verde Europeu defenderam que a União Europeia deve aproveitar o recuo dos Estados Unidos na política climática para assumir a liderança na corrida às tecnologias limpas, acusando o Presidente norte-americano, Donald Trump, de transformar o país num “petroestado” ao censurar a ciência climática na Agência de Proteção Ambiental (EPA).

“Ao censurar a ciência climática na Agência de Proteção Ambiental dos EUA, o Presidente Donald Trump está a transformar os Estados Unidos num petroestado, precisamente no momento em que a Europa e a China estão a orientar a economia global para energias renováveis baratas”, afirmou Ciarán Cuffe, co-presidente do Partido Verde Europeu, citada em comunicado, reagindo às alterações anunciadas na EPA.

Cuffe considerou a decisão “moralmente errada” e sublinhou que surge num contexto em que países como Espanha e Portugal enfrentam tempestades e inundações mortais associadas às alterações climáticas. “É doloroso assistir a isto”, acrescentou.

Para o dirigente ecologista, a estratégia norte-americana é também economicamente míope. “Num mundo condicionado pelo clima, aqueles que se recusarem a agir perderão aliados”, afirmou, defendendo que as dificuldades dos EUA podem representar uma oportunidade estratégica para a União Europeia.

Cuffe destacou ainda dados recentes que indicam que o forte investimento da China em energias renováveis tem conduzido a emissões de CO₂ “estáveis ou em queda”. “Se não agir, os Estados Unidos perderão a corrida à descarbonização. Trump criou esta divisão transatlântica, e esta nova realidade é uma oportunidade económica para a Europa”, declarou.

Também Vula Tsetsi, co-presidente do Partido Verde Europeu, alertou para possíveis impactos nas relações comerciais transatlânticas, mas defendeu que Bruxelas deve encarar o momento como uma abertura estratégica. “A Europa deve ver isto não apenas como uma crise, mas como uma oportunidade para liderar”, afirmou.

Segundo Tsetsi, as alterações climáticas são cada vez mais encaradas como uma questão de segurança, devido à escassez de recursos, à instabilidade e ao aumento das tensões geopolíticas. “Enquanto os EUA se prendem aos combustíveis fósseis, a Europa está a investir em energias renováveis, que em 2024 já são a fonte mais competitiva para nova produção de eletricidade”, sublinhou.

Para os Verdes europeus, reforçar agora o investimento na transição energética permitirá não só proteger os cidadãos dos impactos crescentes das alterações climáticas, como também reforçar a autonomia geopolítica da União Europeia. Tsetsi defendeu ainda que esta aposta fortalecerá a competitividade europeia — “muito mais do que qualquer projeto de desregulação do século XX” — numa referência às propostas defendidas pelo chanceler alemão Friedrich Merz e pela primeira-ministra italiana Giorgia Meloni.

“Quando bem gerido pelos líderes europeus, este pode ser o momento da Europa”, concluiu.

A posição surge numa altura em que a Agência Internacional de Energia indicou recentemente que o consumo global de carvão já terá ultrapassado o seu pico, impulsionado pela eliminação progressiva no Ocidente e pela eletrificação acelerada na China.

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