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Tag Archive | "Alterações Climáticas"

Aquecimento global vai alterar sabor da cerveja


Muito do que hoje temos por certo deixará de o ser a médio prazo, à medida que as alterações climáticas nos batem à porta e vão mudando a forma como nos habituámos a certos produtos. Um deles é a cerveja, cujo sabor nunca mais vai ser o mesmo.

Quem o diz é o estudante de doutoramento Peter Gous, que está preocupado com os efeitos do clima na produção de cerveja e, por isso, resolveu investigar esta ligação na Universidade de Queensland, Austrália.

O estudo foi publicado no Journal of Cereal Science e testou como a falta de água pode afectar a qualidade dos grãos de cevada. Gous acredita que o amido dentro dos grãos de cevada cultivados com pouca água é diferente do amido de grãos de cevada bem regados. A cevada que cresce com pouca água tem uma espécie de stress hídrico, o que muda a estrutura do amido.

A partir dessa descoberta, Gous levantou a hipótese de que, no futuro, será mais difícil consumir uma cerveja de qualidade. Isso porque as mudanças climáticas irão tornar as secas mais frequentes e mais severas em todo o mundo. Isso pode afectar a qualidade dos grãos, como a cevada usada na cerveja.

Isso significa que os consumidores terão que pagar mais por uma cerveja com a mesma qualidade de hoje. “Se perguntarmos a qualquer cervejeiro, a qualidade do amido e a fermentação afectam o gosto da cerveja”, explicou Gous ao Brisbane Times. “Ao invés de pagar €3,6 (R$ 11) por uma cerveja, por exemplo, iremos pagar de €10 a €14 (R$ 33 a R$ 44)”, concluiu.

E o leitor, está disposto a pagar essa quantia por uma cerveja?

Foto:  edans / Creative Commons

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Regiões áridas ajudam a reter parte do excesso de CO2


Investigadores da Universidade Estadual de Washington descobriram que as áreas áridas, que se encontram entre os maiores ecossistemas do planeta, absorvem uma quantidade inesperada de níveis de dióxido de carbono da atmosfera.

Com esta descoberta, poderá agora saber-se quanto do carbono permanece na atmosfera como CO2, e o quanto fica armazenado na terra e no oceano, noutras formas da substância.

O estudo, publicado na semana passada na Nature Climate Change, é o resultado de uma experiência de 10 anos,  na qual os pesquisadores expuseram glebas do deserto de Mojave, na Califórnia, a níveis elevados de CO2, semelhantes aos que se espera encontrar em 2050. Eles recolheram o solo e plantas, até um metro de profundidade, e mediram quanto de carbono foi absorvido.

O trabalho trata de uma das facetas desconhecidas do aquecimento global: o grau no qual ecossistemas de terra absorvem ou libertam CO2  quando a sua presença aumenta na atmosfera.

As áreas áridas recebem menos de 25 cm de chuva por ano, ocupando uma extensa faixa de 30 graus de latitude norte e sul. Com as áreas semi-áridas, que recebem menos de 50 cm de chuva por ano, elas respondem por quase metade da superfície do planeta.

Na verdade, como já afirmámos no Green Savers, os solos de floresta têm mais matéria orgânica e, se fizermos a conta por metro quadrado, retêm muito mais carbono. Mas como os solos áridos cobrem tanta área, segundo o Science20, eles podem ter um papel considerável na avaliação de carbono e em quanto a Terra aquece quando os gases de efeito estufa se acumulam na atmosfera.

Foto:  geographyalltheway.com / Creative Commons

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Série com estrelas de Hollywood discute impactos das alterações climáticas


Arrancou ontem, na rede de canais por cabo Showtime, dos Estados Unidos, a série documental Years of Living Dangerously, que aborda o papel das alterações climáticas e tem como protagonistas vários dos mais influentes actores e actrizes de Hollywood, como Matt Damon, Harrisson Ford, Michael Hall (Dexter), Jessica Alba, Arnold Schwarzenegger, Don Cheadle ou Thomas L. Friedman, colunista do The New York Times.

A série viaja pelos quatro cantos do mundo para retratar os efeitos do aquecimento global e investigar as ligações entre as decisões humanas e os eventos climáticos extremos. Ela aborda, entre outros, a ligação entre a desflorestação e a corrupção, na Indonésia, a seca, fome e guerra civil na Síria, as ondas de calor, desemprego, religião, política e depressão económica no oeste americano.

Produzida por James Cameron, autor de Titanic ou Avatar, a série tem nove episódios com uma hora de duração, estando também disponível YouTube.

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Não culpe os camelos pelo aquecimento global


Nunca acuse a ciência de negligenciar os mais pequenos e aparentemente menos dignificantes detalhes na procura de melhor compreender o funcionamento do planeta Terra. É do conhecimento geral que muitos animais de grande porte produzem grandes quantidades de metano – gás que resulta do seu processo digestivo e que é muito mais prejudicial que o dióxido de carbono.

Contudo, um novo estudo elaborado por uma equipa de investigadores suíços revelou recentemente por que é que não devemos culpar os camelos pelo aquecimento global. Os camelos –  tal como os seus parentes: lamas, alpacas, dromedários e vicunhas –  produzem metano durante a sua digestão, que é 20 vezes mais potente, em termos de efeito de estufa, que o dióxido de carbono. Contudo, estes animais produzem metano em menor quantidade que os ruminantes, como as vacas, cabras e ovelhas.

Quando digerem a comida, os ruminantes emitem grandes quantidades de metano, que correspondem a cerca de 20% das emissões totais deste gás, refere o Guardian. A assunção que era feita até agora era de que os camelos produziam quantidades semelhantes aos ruminantes. Contudo, investigadores da Universidade de Zurique descobriram que os camelos emitem menos metano que os ruminantes.

Os ruminantes e os camelos são semelhantes, mas não idênticos. Ambos os grupos de animais possuem estômagos compartimentados, o que lhes permite regurgitar o alimento de câmara para câmara para que sejam melhor digeridos. É esta semelhança que induzia à  ideia de que os camelos produziam uma quantidade de metano semelhante à dos ruminantes. Mas esta ideia foi agora desmentida.

Durante o estudo, a equipa de investigadores colaborou com o jardim zoológico de Zurique e proprietários privados de camelos. Os cientistas mediram então a quantidade de metano produzida em três tipos de camelídeos e concluíram que as três espécies tinham um metabolismo mais baixo que os ruminantes, porque comiam menos e, consequentemente, produzem menos metano.

Foto:  jemasmith / Creative Commons

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Califórnia: seca chegou a Silicon Valley e ao Google


A seca que há dezenas de meses se prolonga no estado da Califórnia, Estados Unidos, chegou finalmente a Silicon Valley, sede de várias empresas tecnológicas, como o Google. A cidade de Mountain View, onde se encontra a multinacional norte-americana, declarou o estado de emergência na semana passada.

Para já, o impacto desta medida é ligeiro. Ainda assim, os restaurantes do Google não podem servir água, excepto quando pedida especificamente pelos clientes.

A poucas horas de carro, no coração californiano, a seca entra agora no terceiro ano. Se, no final de Fevereiro e início de Março, caiu alguma chuva, este momento foi apenas a excepção de uma regra cada vez mais cruel para os agricultores do Estado.

A Califórnia é responsável por 15% de toda a produção agrícola norte-americana, sendo conhecida pelos seus vinhos – um negócio que movimenta muitos mil milhões por ano. “Não vamos chegar a metade da precipitação habitual”, explicou ao Financial Times Nat DiBuduo, presidente da Allied Grape Growers, uma associação de agricultores ligada ao mercado dos vinhos.

O ano de 2013 foi o mais seco desde que há dados, e 2014 deverá estar entre o quinto ou sexto ano desta lista. Numa altura em que vai começar a tradicional época seca, várias cidades da Califórnia começam a ficar sem água, uma situação que poderá piorar com os fogos florestais, muito comuns nesta região. Segundo as autoridades de protecção civil, 15% de todos os dois milhões de fogos da Califórnia estão em risco de incêndio.

Foto: donjd2 / Creative Commons

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Praias de Aveiro são das mais vulneráveis da Europa


A ligação de Portugal ao mar é muito anterior à época em que os navegadores lusitanos ajudaram a desbravar os oceanos. Esta ligação é relembrada, quase todos os anos, quando o mar galga os areais e destrói o que se atravessa no caminho. Mas será o mar o culpado destes prejuízos que por vezes acabam em tragédia?

Os estragos provocados no último Inverno são o exemplo claro da força do mar mas também da má gestão e de décadas de mau ordenamento do território na orla costeira. A segunda metade do século XX assistiu a construções desmesuradas de habitações em zonas costeiras de risco, construções que foram autorizadas pelas entidades competentes.

Nos últimos 50 anos, a urbanização dos terrenos na costa aumentou 300%, e população a residir junto ao mar cresceu quase para o dobro. Porém, uma em cada dez habitações está actualmente desocupada, o que indicia que há casas a mais nestas zonas.

Estes dados integram o projecto Change, estudo que analisou as dimensões sociais da crise costeira no país a partir da ocupação desordenada do território e da longa história erosiva da costa nacional.

O projecto, que envolveu investigadores do Instituto de Ciências Sociais e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, coordenado por Luísa Schmidt, permitiu fazer um levantamento das diversas políticas públicas dos últimos anos para o litoral e caracterizar a amplitude social da crise costeira, traçando ainda possíveis cenários sobre os impactos da subida do nível médio do mar em Portugal.

O estudo centrou-se em três zonas chave de grande risco de erosão e de ocupação desordenada: Barra-Vagueira (Aveiro), Costa da Caparica-Fonte da Telha (Almada) e Quarteira-Vale do Lobo (Loulé). Destas três zonas costeiras, são as praias de Aveiro que estão expostas ao maior risco. Com a ria de um lado e o mar do outro, a zona entre a Praia da Barra e a Praia de Mira (mais a sul da Vagueira) é das “mais vulneráveis [a inundações pelo mar] a nível europeu”, como salientou Luísa Schmidt durante a apresentação do estudo. A zona a norte da Praia da Barra também corre grande risco, mas menor que a sul, já que as Dunas da Reserva Natural de São Jacinto ajudam a evitar os efeitos da erosão.

Retratos problemáticos da Vagueira, Caparica e Quarteira

Até aos anos 1980, a Praia da Vagueira – e região costeira adjacente – era uma praia de pescadores, envolta por terrenos agrícolas bastante férteis e, até há bem pouco tempo, podia ver-se os pescadores praticarem a pesca de arrastão com ajuda de bois. Contudo, a partir desta data, esta praia, assim como a da Costa Nova e da Barra, começaram a ser cada vez mais procuradas para a prática balnear. Esta procura impulsionou a ocupação desordenada durante os anos 1990.

Entre 1950 a 2011, por exemplo, a população residente entre a Barra e Vagueira aumentou 169%. Actualmente, 42% das habitações deste local são casas de ocupação sazonal e 58% são habitações permanentes. Aliado à ocupação da costa, onde os alojamentos cresceram mais rápido que a população, a linha costeira sofreu um grande recuo desde 1947, cerca de 500 metros. Este recuo tem impactos directos em todo o ecossistema da ria, contribuindo para a sua destabilização.

Num inquérito feito à população da Barra-Vagueira, os investigadores do Change concluíram que 70% dos inquiridos considera que a erosão da costa é um problema grave e 83% acha que as alterações climáticas têm um impacto nesta erosão. Porém, apesar de reconhecer o risco que corre, 94% desta população nunca participou em discussões públicas sobre a temática.

Na Costa da Caparica a situação é semelhante: 86% da população considera a erosão um risco grave mas 96% nunca se envolveu em sessões de discussão. Tal como a Barra-Vagueira, a zona da Caparica é afectada pelo problema da erosão e da ocupação desordenada, sendo a zona da Cova do Vapor a mais afectada pela acção erosiva do mar.  Em 2011, viviam cerca de 6.062 famílias nesta zona da margem sul de Lisboa.

Porém, a maior pressão da população na Caparica começou a sentir-se na segunda metade do século XX, antes da ocupação da Vagueira. Mas mesmo há 50 anos, quando a ocupação da população ainda não se sentia com tanta pressão a erosão nesta zona já era grande: entre 1957 e 1964, a linha de costa recuou 100 metros e em 1959 iniciou-se a construção do campo de esporões para a protecção da costa.

Na Quarteira, a ocupação mais acentuada começou a sentir-se nos anos 1970, década em que ocorreu a construção do primeiro aldeamento no Vale do Lobo. Até então, a Quarteira era uma grande quinta, e a sua praia era apenas ocupada por pescadores. Os veraneantes preferiam zonas como a Praia da Rocha ou Monte Gordo para passar as suas férias. Mas, com a abertura do aeroporto de Faro o cenário alterou-se e também a Quarteira começou a ser procurada para a prática balnear. Mais tarde chegaram os turistas estrangeiros.

Em 2011, a zona da Quarteira, que engloba Vilamoura e o Vale do Lobo, tinha 8.867 famílias. Nos últimos dez anos o número de alojamentos aumentou 213,1%, construindo-se em arribas e outras zonas de risco. Cerca de 68% das habitações são sazonais, sendo apenas 32% das casas de carácter permanente. É nesta zona algarvia que a população encara a erosão costeira como um risco elevado, com cerca de 99% dos inquiridos a indicarem este dado.

E como vão ser estas praias em 2100?

O projecto Change traçou ainda cenários sobre os previsíveis impactos das alterações climáticas na costa portuguesa, nomeadamente o aumento do nível médio do mar, potenciado pelo aquecimento global.

Partindo de uma base comum, foram elaborados mapas de vulnerabilidade para três cenários: 2025, 2050 e 2100 – sendo este último o cenário mais gravoso. Considerando apenas o nível da água do mar, sem olhar a outros factores, como a interacção das marés, a erosão, a interacção das ondas com o fundo oceânico e outros factores antropogénicos, em cenários de inundação da orla costeira, a Vagueira, a Caparica e Quarteira poderão ter, em 2100, quotas de inundação de 4,1 metros. Para 2025, as quotas de inundação para a Vagueira e Caparica serão, respectivamente, de 2,5 e 2,9 metros. No caso da Quarteira, os valores são de 2,7 e 3,0 metros para 2025 e 2050.

Não existe “uma única chave para o resolver o problema”

Actualmente, mais de 80 entidades têm competências na gestão da orla costeira, com municípios e freguesias excluídos. Na linha de costa vivem hoje populações muito diversificadas e unidas por um problema comum: a cada vez maior vulnerabilidade dos lugares costeiros onde instalaram as suas casas, investimentos e actividades.

Soluções? Segundo Luísa Schmidt, não existe “uma única chave para resolver o problema”. As soluções para o litoral lusitano têm estado bloqueadas, tanto pelo complexo sistema de gestão jurídico-político como pelas turbulências das dinâmicas sociais de ocupação. A importância dos valores económicos, principalmente do sector imobiliário, tem também dificultado a aplicação das soluções. A sobreposição de planos de várias escalas ao longo do tempo e durante ciclos legislativos curtos tem dificultado a integração de políticas e estratégias de longo prazo, bem como a definição de prioridades.

Foto:  frestivo / Creative Commons

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