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“Com o que poupamos [na reciclagem] estamos a pagar a certificação 3R6”


A frase que escolhemos para título desta notícia foi dita pela directora de ambiente, qualidade e segurança do Tivoli Hotels & Resorts, Adriana Jacinto, no final da conferência Reciclagem no Contexto Empresarial, que hoje decorreu no Tivoli Lisboa.

Segundo a responsável – que elogiou a certificação – este programa permitiu uma redução entre 11 e 50%, consoante os hotéis, ao nível dos indiferenciados recolhidos. Mas esta percentagem ainda tem “margem para melhorar”.

 “Se calhar, com o que poupamos na percentagem de indiferenciados [recolhidos], estamos a pagar a certificação”, concluiu a profissional.

A estratégia ambiental do Tivoli não é de hoje. Ela arrancou em 1999, com a implementação da política de qualidade e ambiente, e solidificou-se em 2002, quando o Tivoli Carvoeiro se tornou no primeiro hotel português com certificação ambiental.

Hoje, o Tivoli Hotels & Resort tem cinco hotéis certificados com o 3R6. “A Tivoli Hotels já cumpria quatro dos requisitos do [antigo] 100R, mas esta serviço permitiu-nos medir a produção de resíduos indiferenciados e embalagens, identificar oportunidades de melhoria, formar colaboradores com entidades especializadas e fazer auditorias anuais para validação de resultados”, explica a responsável.

Por outro lado, a cadeia hoteleira aproveitou o facto de a SPV ser uma “entidade idónea” e com grande notoriedade na área do ambiente para levar os seus próprios clientes a “confiar” no sistema.

Um dos pontos realçados por Adriana Jacinto, na aquisição da certificação 3R6, é o “impacto não esperado” que esta parceria teve nos media. “Esta certificação tem uma grande visibilidade”.

Segundo a gestora, é nos hotéis em que existem contentores de reciclagem no quarto que esta se torna mais eficaz. “Os clientes ajudam-nos. [Na verdade], o que entra no indiferenciado raramente volta para trás”, explica Adriana.

O Tivoli já identificou as oportunidades de melhoria do seu sistema: diminuir o peso dos resíduos indiferenciados, reduzir a presença de contaminantes no fluxo de papel/cartão e plástico/metal estão entre eles.

Por outro lado, o grupo está já a trabalhar na uniformização da sinalética e novas acções de formação.

A grande margem de melhoria está, no entanto, ao nível dos indiferenciados. Segundo a gestora, o Tivoli Carvoeiro tem cerca de 16 contentores de 800 litros, sendo que cada um custa entre €80 e €90 por mês. Reduzir um ou dois destes contentores é uma poupança efectiva. É aí que surge a frase que titula esta reportagem – uma máxima da economia verde aqui posta em prática pela Sociedade Ponto Verde, através da certificação 3R6, e Tivoli.

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Marca 3R6 substitui 100R. Saiba tudo sobre esta certificação ambiental.


Há 16 anos que a Sociedade Ponto Verde – SPV – trabalha junto dos consumidores para maximizar o encaminhamento de resíduos para reciclagem. É uma das marcas portuguesas mais conhecidas do sector do ambiente, como aliás já aqui revelámos, com uma abrangência cada vez maior na sociedade portuguesa.

Através da Ponto Verde Serviços (PVS), a SPV foi responsável pela criação e desenvolvimento da marca 100R, especializada em reciclagem no contexto empresarial.

Hoje, esta marca tornou-se história e foi substituída pela 3R6. “Criei esta marca [100R] como algo aspiracional, mas alguns [consumidores] achavam que era greenwash. Mudámos para 3R6”, explicou hoje de manhã, no Tivoli Lisboa, o director de marketing da SPV e responsável da PVS, Mário Raposo.

Segundo o responsável, a 3R6 pretende “reduzir, reutilizar e reciclar” – daí os 3R –, mediante seis passos essenciais: auditoria, consultoria, formação, avaliação, aferição – ou medição – e visibilidade.

“As empresas tinham necessidade de reduzir custos na gestão destes resíduos. Qualquer espaço comercial, eventos e empresas podem candidatar-se, com o objectivo de maximizar o encaminhamento de resíduos para reciclagem ou, caso isso não seja possível, transformá-los em energia”, avança o responsável.

Para as empresas que já fazem relatórios de sustentabilidade, esta certificação ambiental tem um bónus: a medição de todos os resultados alcançados. Mário Raposo diz que, na verdade, o 3R6 acaba por ser uma marca para comunicar com o consumidor, uma vez que é este que participa em conferências, está nos eventos ou vai aos estádios de futebol. E trabalha nas empresas, claro.

A experiência do Tivoli

Há vários princípios associados ao 3R6: mudar comportamentos, circunscrição [de eventos, conferências, entre outros, de forma a diminuir os resíduos], abrangência, mensurabilidade, legalidade e compliance, melhoria contínua e complementaridade de melhores práticas.

Um dos princípios fundamentais é o da mensurabilidade. “O 3R6 é quantificar, a medição é fundamental”. E os resultados variam muito de sector em sector. Por exemplo, reciclar 35 ou 36% de um concerto ao vivo é um excelente resultado. Numa conferência, por outro lado, as empresas podem atingir os 80 ou 90% de reciclagem.

“Já começamos a ter um bom benchmark sobre o que é um excelente resultado, em qualquer área e indústria”, explica Mário Raposo.

Com a certificação 3R6, a Sociedade Ponto Verde consegue também pôr em marcha um processo de pequenas dicas que fazem a diferença. “Num concerto ao vivo, por exemplo, aconselhamos a evitar a distribuição de folhetos, para não termos de separar papel e o plástico dos copos. São pequenas dicas que fazem toda a diferença”, avança. Rock In Rio e Optimus Alive são dois dos festivais de música clientes do serviço.

Por outro lado, o elemento-chave do processo são as equipas de limpeza. “Elas podem acabar com uma certificação, se não separarem os resíduos”, conclui o profissional.

Um dos clientes do 3R6, a Tivoli Hotels, avança que a certificação paga-se a ela própria. “Se calhar, com o que poupamos na percentagem de indiferenciados [recolhidos], estamos a pagar a certificação”, explicou, no encontro de hoje, Adriana Jacinto, a directora de ambiente, qualidade e segurança do Tivoli Hotels & Resorts.

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Os vencedores do concurso Recicl’arte, da Sociedade Ponto Verde (com FOTOS)


Já foram eleitos os três vencedores do concurso Recicl’arte, que pretendeu encontrar imagens criativas e originais para os três sacos para separação de embalagens domésticas usadas, também designados por ecobags. Promovida pela Sociedade Ponto Verde (SPV), a iniciativa recebeu mais de 150 propostas.

Os vencedores foram escolhidos pelos fãs da página da Sociedade Ponto Verde no Facebook entre os cinco finalistas seleccionados pelo júri do concurso. A imagem de Pedro Miguel Guerreiro recebeu 411 votos, que lhe valeram o 1º lugar; a proposta de Jorge Ferrão posicionou-o no 2º posto e o terceiro lugar pertence a Catarina Bernardo.

As propostas vencedoras inspiraram-se na temática da reciclagem para criar a imagem dos ecobags em função das regras de separação de materiais: verde para o vidro, azul para o papel e cartão e amarelo para o plástico, metal e embalagens de cartão para alimentos líquidos.

“Estou muito satisfeito com o reconhecimento do meu trabalho. Espero que a minha proposta contribua para ajudar as pessoas a pensar no que podem fazer em prol do ambiente e, ao mesmo tempo, para o aumento da reciclagem em Portugal”, afirmou Pedro Miguel Guerreiro, citado por um comunicado da SPV.

A falta de recipientes próprios para a separação doméstica de embalagens usadas é um dos argumentos mais invocados nos estudos que têm vindo a ser efectuados nos últimos anos, para justificar a não separação de resíduos, razão que levou a Sociedade Ponto Verde, através deste concurso, a promover o desenvolvimento de equipamento que possa colmatar a falta destes recipientes.

Com as embalagens que são enviadas diariamente para reciclagem pela Sociedade Ponto Verde seria possível encher mais de um milhão de ecobags em apenas um dia.

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Rui Cabral, ANREEE: “Estamos a identificar e sensibilizar 1000 [novas] empresas”


O director-geral da Associação Nacional para o Registo de Equipamentos Eléctricos e Electrónicos (ANREEE) explicou ao Green Savers que, se a nova directiva europeia fosse hoje aplicada, os portugueses teriam de elevar a taxa de recolha para 7kg em 2014 e 10kg em 2018.

Hoje, esta taxa encontra-se nos 4kg por habitante, pelo que os desafios são muitos para o sector do registo de equipamentos eléctricos e electrónicos.

Quais as principais tendências do sector dos resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos, em Portugal e na Europa?

As principais tendências do sector, a nível nacional e europeu, espelham-se na nova directiva dos REEE (Resíduos de Equipamentos Eléctricos e Electrónicos), Directiva 2012/19/EC publicada em Julho do ano passado no jornal das comunidades.

Basicamente, pretende-se diminuir o impacto dos resíduos na natureza, através de uma maior abrangência de aplicação da directiva e de metas de recolha mais ambiciosa; estimular o reaproveitamento de materiais, quer pelo aumento de metas já referido quer ainda por um maior controlo ao nível da exportação de resíduos; e por último, diminuir encargos e cargas administrativas desnecessárias para as empresas, através da harmonização e simplificação de procedimentos e interação entre entidades.

Na sua óptica, o que tem de mudar na actual legislação para que este mercado funcione de forma menos dispendiosa e mais harmoniosa?

Um dos aspectos que é imperativo mudar é dar condições às empresas para cumprirem de uma forma eficaz, rápida e barata. Hoje, qualquer empresa tem que estar inscrita, declarar e pagar a várias entidades para cumprir uma série de legislação ambiental a que está sujeita – são os resíduos da própria actividade, as embalagens com que embala os seus produtos, os equipamentos eléctricos, as pilhas ou os óleos, entre outros. Esta dispersão obriga não só um custo desnecessário em dinheiro e tempo envolvido, como também, pela falta de visão de conjunto, dificulta o cumprimento e detecção de incumpridores – os quais, não esqueçamos, estão a onerar os custos de todas as empresas cumpridoras.

Por estas razões, a ANREEE apresentou, já em 2010, um projecto que passa, justamente, pela concentração de todas as obrigações numa única plataforma onde as empresas podem aceder, com uma única password e onde são informados e notificados de todas as suas obrigações.

Este é um projecto que faz todo o sentido porque irá, de forma imediata, poupar tempo e dinheiro. Podemos afirmá-lo com base num estudo e projeções realizadas, onde se concluiu que é possível reduzir pelo menos para metade o valor das taxas pagas por todas as empresas.

Outro aspeto é termos uma fiscalização mais eficiente. Uma fiscalização que actue mais rapidamente sobre os incumpridores e que evite fugas a nível das recolhas de resíduos.

Também aqui o projecto apresentado pela ANREEE iria, pela concentração e depuração de informação precisa, facilitar e rentabilizar o trabalho desenvolvido pelas entidades fiscalizadoras o qual é de capital importância para todo o funcionamento do sistema.

Quais os grandes desafios do sector – e como podem estes ser colocados em prática?

O sector dos equipamentos eléctricos e electrónicos vem, desde 2011 em Portugal e em consequência directa da crise, sofrendo reduções no número e peso dos equipamentos colocados no mercado. Em média, essas reduções têm sido de 14%/ano. Com esta diminuição assistimos a um número crescente de empresas que abandonaram o sector, quer por fecho de actividade quer por deslocalização da delegação para outros países.

As novas empresas que, felizmente, também têm sido criadas, possuem modelos de negócio diferentes. São mais pequenas e flexíveis, elegem as vendas pela internet como o seu canal de vendas e desmaterializam a sua existência, a qual tanto pode estar em Portugal como em qualquer país do mundo.

Chegar a estas empresas e trazê-las para o sistema, é um verdadeiro desafio que envolve relações internacionais – quer dentro da Europa quer com países terceiros – e uma interação mais fina com várias entidades as quais têm mostrado ter uma velocidade bem mais lenta do que a rapidez com que estas empresas aparecem e desaparecem.

Se do lado das colocações no mercado (EEE) o desafio é trazer todos os outsiders para o sistema, já do lado das recolhas (REEE) o desafio é garantir que cada vez menos REEE sejam perdidos.

É um desafio que tem várias variáveis – exportação ilegal de REEE para países em vias de desenvolvimento, roubo de REEE de redes de transporte e centros de recolha, com consequente canibalização dos materiais valiosos e abandono das carcaças em qualquer berma de estrada.

A nível da Europa, embora actualmente 65% dos REEE já sejam devidamente separados, só cerca de 33% chega a um centro de tratamento adequado.

Nova directiva muda tudo

A nova directiva REEE 2012/19/EU entrou em vigor em Julho, devendo ser transposta para direito nacional até Dezembro de 2013. O que já foi feito neste aspecto?

Portugal tem até Fevereiro de 2014 para transpor a nova diretiva europeia para o ordenamento jurídico nacional, num processo que está a ser liderado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Esta instituição já lançou uma consulta pública e tomou medidas para a criação de um grupo de trabalho, que deverá reunir-se proximamente.

Com mais avanços e atrasos esta é a situação em que se encontram actualmente todos os Estados Membros. Da nossa parte, temos estado a trabalhar junto da Comissão na preparação de um documento de perguntas (FAQ) que irá, assim o esperamos, ajudar todas as empresas e intervenientes a fazerem a passagem para a nova Diretiva

Com as entidades de registo congéneres Europeias, através da EWRN – European WEEE Register Network – temos vindo a desenvolver trabalho no sentido de harmonizarmos ao máximo processos e entendimentos, aproveitando a janela de oportunidade que a transposição da nova directiva nos possibilita

A nível nacional, temos desde 2012 realizado um roadShow por várias regiões de Portugal Continental e ilhas, com a intenção de actualizar e reforçar o conhecimento, junto dos empresários regionais,sobre a nova diretiva reguladora de Resíduos de EEE. Esta iniciativa pretendeu sobretudo alertar sobre a existência de obrigações para quem coloca equipamentos eléctricos e electrónicos no mercado, sendo que só o registo é a garantia perante os seus clientes e parceiros de que estão a cumprir a legislação e a contribuir para a sustentabilidade e conservação do ambiente.

Para a ANREEE é muito importante este diálogo, pois representa uma forma rápida e eficaz de esclarecer dúvidas e de recolher opiniões e sugestões das empresas. Esta campanha, que teve o nome de “registo único”, permitiu também realizar com as empresas um balanço do que têm sido todos estes anos, desde 2005, como ainda apresentar o nosso projeto de entidade única de registo. Os resultados e o feedback foram muito positivos.

A nova directiva vai pressionar para metas bem mais ambiciosas que a recolha dos actuais 4 kg por habitante/ano. Como se está a preparar a ANREEE para esta nova fase?

Efectivamente, a nova directiva vai trazer-nos metas que vão passar de um valor fixo – os actuais 4kg por habitante – para um valor variável em função do mercado. É mais justo, mas muito ambicioso. Os actuais 4kg por habitante irão ter que crescer para 45% do peso médio dos equipamentos colocados no mercado nos últimos três anos, em 2016 e para 65% em 2019.

Se aplicássemos hoje estas novas regras, seriamos obrigados a elevar a taxa de recolha para 7 e 10 Kg/habitante respectivamente. São grandes saltos quantitativos, num espaço de tempo muito curto. Para o conseguirmos vamos ter que necessariamente aumentar capilaridade e sobretudo diminuir as fugas ao sistema de recolha existente.

Não tendo a ANREEE actuação em nenhuma dessas áreas, estamos a concentrar os nossos esforços em trazer mais empresas ao cumprimento das suas obrigações, garantindo que mais resíduos sejam recolhidos pelas vias correctas e contem para as metas. Temos neste momento, em processo de identificação e sensibilização, cerca de 1.000 potenciais empresas.

Chamar mais empresas

Que balanço faz da actuação da ANREEE nestes últimos anos?

Temos mais de 1.700 empresas registadas, o que comparativamente a outros Estados membros e aplicando um rácio de população, nos coloca em terceiro lugar. Se aplicássemos um rácio que entre em conta com o PIB, ainda mais favorável seria a nossa posição.

Não só temos proporcionalmente mais empresas registadas por habitante, como também estamos a conseguir números de mercado com taxas declarativas superiores a 90%. Isto é, recebemos declarações de actividade, dentro do tempo, de mais de 90% das empresas registadas. Como consequência, os números que fornecemos à tutela – e que são de capital importância para validação de metas e atribuição de quotas de mercado – são fidedignos e retratam com rigor o mercado nacional.

E é rigor e segurança que vimos imprimindo a todos os aspetos do nosso serviço. Em 2012, iniciámos processos de qualidade e segurança de informação. Somos atualmente a única entidade de registo Europeia certificada em ISO 9001 (qualidade) e Segurança de Informação (ISO 27001).

Criámos em 2007, com outras entidades de registo, uma rede de registos europeus – A EWRN – a qual não só têm ajudado a aplainar diferenças entre os vários estados membros, como é atualmente usada e citada pela Comissão como um parceiro fiável. Ao longo destes temos vindo sistematicamente a baixar taxas – nem a crise nos fez aumentar – tendo já realizado quatro reduções em cinco anos consecutivos.

Iniciámos no ano passado um processo de internacionalização, levando a nossa experiência a outros países de expressão oficial Portuguesa, os quais começam agora a sentir necessidades de começarem a controlarem mercados. Mais que uma aplicação de registo, a ANREEE foi criada por Associações de empresas e entidades gestoras, para servir empresas ajudando-as a cumprir as obrigações que a legislação em matéria de ambiente vai criando. Por todos estes factos, terei que considerar como muito positiva a atuação da ANREEE.

Em relação aos nossos congéneres europeus, Portugal está adiantado/atrasado no registo de resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos?

Como já referi, estamos muito bem em termos de números. Geralmente, quando nos pedem comparações com outros países, é referida a Espanha. Relativamente a este vizinho não só começámos mais cedo a operar como temos muito mais empresas registadas por habitante.

Mas não nos devemos comparar só em números. O nosso sistema de registo é desde o início totalmente online e usado para todo o diálogo e interação com as nossa empresas.

Realização de declarações, emissões de taxas, envio de mensagens… tudo é feito através do sistema de registo da ANREEE que, num inquérito realizado no ano passado junto dos utilizadores e que teve mais de 500 respostas, obteve nota máxima quanto à sua usabilidade e facilidade.

Um sistema a funcionar de forma contínua, sem dificuldades nem interrupções, declarações feitas dentro dos calendários previstos e, como já citei, com taxas de cumprimento superiores a 90%, são motivos que nos ajudam a sentirmo-nos bem face aos nossos congéneres.

Costuma dizer que há muitos “esconderijos cinzentos” usados por empresas para evitar o registo e coparticipação nos custos da recolha e tratamento de resíduos que elas estão a gerar. Como poderemos alterar esta situação antes de 2018?

Antevejo duas formas: clarificação da nova directiva e harmonização de entendimentos com outras entidades de registo.

Historicamente houve muitas empresas que dizem não se reverem na atual directiva – fugindo ao registo e às suas obrigações – pela existência de alguma linguagem dúbia no seu texto, que dá azo a diferentes interpretações, quer ainda pela existência de equipamentos que não são considerados no âmbito, em alguns Estados Membros. Estamos por isso a fazer um esforço para que a Comissão possa colocar um documento de FAQ de aplicação mais direta.

Com as entidades de registo parceiras, estamos a desenvolver entendimentos e a acordar procedimentos comuns relativos a questões práticas que a Diretiva aflora, mas que não poderá dar resposta prática.

A nova directiva vai trazer, em 2018, o chamado âmbito aberto. Isto é tudo: o que depende de electricidade, correntes eléctricas ou campos electromagnéticos vai passar a estar incluído. À primeira vista temos seguramente mais equipamento abrangido mas, com o âmbito aberto vêm também novas exclusões que, se não tivermos cuidado, podem igualmente excluir muito equipamento. O esforço de um entendimento prévio e comum entre as várias entidades de registo é por isso fundamental.

O registo de produtores de EEE é um passo fundamental em toda a cadeia de sustentabilidade, uma vez que só sabendo quantas empresas existem e o que colocam no mercado poderemos assegurar a recolha e reciclagem adequada, um sistema justo para todos, números fidedignos e uma correta contabilização de resultados face às metas europeias.

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Os grandes desafios da recolha de equipamentos eléctricos e electrónicos


A partir de 2016, a maioria dos Estados-Membros da União Europeia, incluindo Portugal, terão um grande desafio: recolher, todos os anos, 45% dos equipamentos eléctricos e electrónicos (EEE) colocados no mercado nacional nos três anos anteriores. A partir de 2019, essa meta deverá atingir os 65%.

Hoje, de acordo com os dados da Amb3E, esta percentagem ainda não seria possível de atingir em Portugal. “As metas a atingir vão ser mais elevadas e isso vai obrigar a um grande esforço colectivo de todos. Vai ser necessário continuar a sensibilizar a população para que todos assimilemos que, ao colocarmos um electrodoméstico para reciclar num Ponto Electrão, estamos não só a preservar o ambiente e os recursos naturais mas também a contribuir para a criação de centenas de postos de trabalho em Portugal”, explicou ao Green Savers o director-geral da Amb3e, Jorge Vicente.

São postos de trabalho directamente envolvidos na recolha, triagem, tratamento e valorização destes resíduos e que podem garantir uma economia verde do sistema. É que, segundo dados da Comissão Europeia, cerca de dois terços dos equipamentos eléctricos e electrónicos colocados no mercado acabam por ser recolhidos separadamente do lixo normal. “Mais de metade é exportada ilegalmente ou tratada de forma inadequada, com efeitos nocivos para o ambiente e economia”, explica o responsável, que alerta para os constantes avisos da Amb3E às autoridades ambientais e policiais sobre o assunto.

“É necessário optimizar os circuitos de recolha e minimizar os circuitos informais”, continua.

Chegar ao mercado informal é o desafio
Jorge Vivente não tem dúvidas. O principal desafio do sector é trazer para o mercado informal – comumente denominado de sucateiros – para o sistema integrado gerido pela Amb3E. “[Não podemos] abdicar das melhores práticas ambientais nem da sustentabilidade económica do sistema”, avança.

Outras das soluções para melhorar os números portugueses passa por “reforçar as acções de sensibilização e informação”, para que o encaminhamento deste tipo de resíduos “passe a fazer parte dos hábitos do consumidor”.

“Temos recebido pedidos para realizarmos palestras em escolas, acções de sensibilização e informação para sectores específicos demonstrando o interesse que esta temática tem suscitado. Contudo, ainda há trabalho a fazer”, continua.

Recolha cresce em Portugal até 2011
Em Portugal, a percentagem de recolha tem vindo a crescer até 2011. Segundo os dados da Amb3E, é possível verificar uma grande subida desde os 11% de 2007 ou 17% de 2008 até aos 43% de 2011. Em 2012, e ainda segundo os dados da Amb3E, verificou-se um decréscimo da recolha de EEE, para os 37,6%.

A taxa de recolha média dos sistemas pertencentes ao WEEEForum também tem vindo a aumentar, estando nos 38%, um valor em consonância com os dados portugueses. “Começa a desenvolver-se uma maior consciência social, mas também económica, na reciclagem destes equipamentos. [Esta consciência está] ligada à percepção de que, quando reciclamos, estamos não só a ajudar o ambiente mas também a economia do País, a incentivar o emprego e a diminuir o custo das matérias-primas”, explica Jorge Vicente.

O WEEEForum é uma associação europeia, criada em 2002, cuja missão é a prossecução da excelência e melhoria contínua da gestão dos REEE. Hoje, o WEEEForum é constituído por 39 entidades gestoras de REEE – Portugal é representado pela Amb3E.

“A principal missão do WEEEForum é servir como plataforma de cooperação e debate entre os seus membros, desenvolvendo mecanismos que permitam a troca de práticas adoptadas e resultados entre os seus membros, permitindo optimizar a performance de cada entidade gestora”, explica Jorge Vicente. Assim, um grupo de trabalho dedicado à recolha promove o benchmarking dos circuitos de recolha, campanhas, ações de sensibilização e comunicação a nível europeu, de forma a identificar e avaliar os casos de sucesso, para poderem ser replicados noutros países. Um destes casos de estudo é português: o Ponto electrão.

Portugal no bom caminho
Se analisarmos os dados de 2011, há três países europeus que sobressaem: Noruega, Suíça e Suécia, com mais de 19, 17 e 16 kgs de resíduos recolhidos por habitante, respectivamente. Estes são países com uma enorme maturidade no que toca à reciclagem de equipamentos eléctricos e electrónicos – e não só – uma vez que o fazem há mais tempo que outros, na Europa.

Na Suíça, esta reciclagem é feita há mais de 15 anos, na Noruega e Suécia há 13. Por outro lado, e se comparamos o desempenho de Portugal com outros países que começaram a fazer  a reciclagem de EEEEs no mesmo ano, 2006, verificamos que apenas a França supera os seus números.

Portugal, em 2011, ficou um pouco abaixo dos 6 kg por habitante, um número superior aos menos de 4 kg por habitante de Espanha e República Checa, mas inferior aos 7 kg/habitante da França.

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Tivoli e Sociedade Ponto Verde promovem conferência sobre reciclagem no contexto empresarial


É já no próximo dia 22 de Maio, uma quarta-feira, que a Tivoli Hotels & Resorts vai organizar a conferência “Reciclagem no Contexto Empresarial”, uma iniciativa desenvolvida em parceria com a Sociedade Ponto Verde (SPV).

O evento realiza-se no Tivoli Lisboa, pelas 10h, e marca o fim da iniciativa “30 Days for the Planet” (“30 dias pelo Planeta”, em português), um ciclo que começou no dia 22 de Abril, Dia Mundial do Planeta Terra, e que levou a Tivoli a comunicar as suas diversas iniciativas ao nível da responsabilidade ambiental, sensibilizando clientes, colaboradores e parceiros para a importância destes temas.

Promover o debate sobre os diferentes papéis e desafios de empresas que intervêm no reencaminhamento e tratamento de resíduos é um dos objectivos da conferência. Para tal, a Tivoli convidou um painel de oradores representativo de todos os intervenientes no ciclo da reciclagem: Mário Raposo, director de marketing da SPV e responsável pela Ponto Verde Serviços; Ana Loureiro, directora de comunicação e imagem da Valorsul; Idalécia Rodrigues, coordenadora de informação da Algar e Adriana Jacinto, directora de ambiente, qualidade e segurança da Tivoli Hotels & Resorts.

Apresentação da 3R6
Esta conferência marcará também a apresentação oficial da identidade 3R6, uma nova marca que substituirá a 100R – 100% de reciclagem garantida – mas que mantém o mesmo objectivo: certificar as empresas, espaços e serviços que asseguram o correcto reencaminhamento de resíduos.

Recorde-se que a Tivoli Hotels & Resorts foi a primeira cadeia hoteleira a obter a certificação 100R, em 2011, em quatro das suas unidades: Tivoli Lisboa, Tivoli Marina Vilamoura, Tivoli Lagos e Tivoli Carvoeiro. Este ano, também o Tivoli Jardim obteve a certificação da Sociedade Ponto Verde.

Certificação dos hotéis Tivoli
Nas cinco unidades certificadas – Tivoli Lisboa, Marina Vilamoura, Lagos, Carvoeiro e Jardim –, a marca hoteleira avalia a produção diária de resíduos e faz a respectiva caracterização em indiferenciados, papel/cartão, plástico/metal e vidro. Assim, a Tivoli confirma a correcta separação de todos os resíduos produzidos.

Em todos os hotéis estão ainda previstas acções de sensibilização e formação que acontecem no posto de trabalho, para que os colaboradores percebam as implicações deste compromisso no seu dia-a-dia. Para perceberem o que acontece aos resíduos que separam e reencaminham, os colaboradores irão também visitar as estações das empresas Algar e Valorsul, responsáveis pela valorização e tratamento de resíduos, na zona de Lisboa e Algarve.

Para incentivar os clientes a conhecer um dos seus hotéis com preocupações ambientais, a Tivoli Hotels & Resorts lança uma campanha especial para os hotéis certificados pela Sociedade Ponto Verde. Até 22 de Maio os clientes poderão usufruir de descontos até 20% no Tivoli Lisboa, Tivoli Jardim, Tivoli Carvoeiro, Tivoli Lagos e Tivoli Marina Vilamoura.

Foto: Sob licença Creative Commons

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