The Manipedi: cuidar das unhas para empoderar mulheres

O B Project é uma iniciativa do B Lab com o Greensavers para dar a conhecer os negócios que estão a quebrar barreiras, a criar novos caminhos e a reformular o mundo corporativo para o bem das pessoas e do nosso planeta.

Neste primeiro trabalho, falamos da The Manipedi, uma empresa empenhada em empoderar mulheres.
Esperamos que se sinta inspirado.


O que faz: Serviços profissionais de manicure, pedicure, depilação e massagens.
Nacionalidade: Portuguesa
Fundação: 2015
Entrada para B Corp: 2018
Faturação: até 500€ mil

          

 



“É necessário que os líderes das empresas de hoje (os decisores, C-suite, board, comissão executiva, diretores) e de amanhã (os estudantes) se apercebam que o modelo em que se costumava trabalhar está ultrapassado.”

 

Pode dizer-nos como tudo começou e qual a motivação por trás do negócio?
A fundadora da empresa, Catarina Soares, conhecia o conceito de nail spa após ter vivido em Nova Iorque, e depois de muitos anos a viver e trabalhar fora de Portugal regressou a Lisboa com a motivação de montar uma empresa que tivesse lucro e também um impacto positivo na comunidade. Depois de se aperceber das condições precárias em que as técnicas de manicure e pedicure trabalhavam em Portugal, decidiu fundar a The Manipedi – Nail Spa.

Qual o diferencial da empresa?
A The Manipedi diferencia-se pelo rigor, pela qualidade e pelo respeito. Oferecemos os melhores serviços de manicure, pedicure, depilação, threading e massagens, e temos um enorme prazer no nosso trabalho e na nossa arte. As nossas técnicas profissionais têm formação, os produtos que utilizamos são os melhores do mundo, não contêm os químicos mais agressivos para a saúde e para o ambiente, e nunca comprometemos a saúde das clientes – utilizamos materiais descartáveis ou esterilizáveis. Além disto, todas as colaboradoras da empresa têm um contrato de trabalho e um salário base, todos os serviços são faturados, todas as obrigações com o Estado são cumpridas, etc.
O que, apesar de se tratarem de obrigações legais são, lamentavelmente, características diferenciadoras.
Estamos ainda atentas à inovação de produtos e tratamentos, e temos sempre coleções novas e produtos novos para oferecer.

Que impacto desejam causar?
O nosso desejo é continuar a formar, capacitar e empregar mulheres profissionais nesta área, proporcionando às nossos clientes tratamentos de elevada qualidade e momentos de relaxamento, em que podem reenergizar, a sós ou com amigas. Muitas amigas, colegas e familiares fazem marcações juntas na The Manipedi regularmente, conseguindo usufruir de momentos de grande qualidade enquanto tratam de mãos e pés. A nossa missão é exatamente reforçar esses laços entre as mulheres, que quando se conseguem unir criam laços poderosíssimos.

Como é que a vossa empresa se enquadra na visão B de fazer o bem para o mundo? Existe alguma estratégia de sustentabilidade ou alguma preocupação neste sentido?
Sim, podem verificar os detalhes da nossa certificação no site do BLab, mas como todas as empresas B temos no nosso objecto social não só a preocupação financeira, mas também a preocupação com a comunidade em que nos inserimos e com o ambiente. Na escolha de fornecedores, de produtos, de parcerias, em todas as decisões de facto, são sempre tidas em consideração esses impactos.

Como foi a entrada para o movimento B? Como tiveram conhecimento do movimento? Foi preciso alterar algo estrutural ou conceitual?
A nossa fundadora já conhecia a certificação B de outros países e a sua forma de tomar decisões estava alinhada com as do movimento, pelo que a certificação surgiu de forma natural. As grandes alterações necessárias à certificação não foram estruturais ou conceptuais, mas sim de formalização de alguns processos, uma vez que a certificação requer uma auditoria e muitos documentos têm de ser comprovados e analisados pela B Lab, nos Estados Unidos.

Desde que entraram, quais as mudanças mais significativas que já sentiram?
Em Portugal a maioria dos consumidores ainda não conhece ou reconhece a certificação e o selo B, pelo que não sentimos muitas mudanças. Os nossos clientes de outros mercados sim, muitos reconhecem e identificam-se com o movimento.

O tipo de consumidor mudou?
O tipo de consumidor não mudou, mas temos alguns novos clientes (principalmente estrangeiros) conscientes do rigor da certificação B e que têm preocupações sociais e ambientais. Esta certificação pode não ter impacto ao nível da faturação mas tem seguramente um impacto positivo, nem que seja porque nos possibilita chegar a mais pessoas com o conceito de empresas conscientes e lucrativas. A ideia do movimento B é exatamente esse, de chegarmos cada vez a mais pessoas, mais consumidores, mais colaboradores, mais empresas, para que juntos possamos mudar as regras de fazer negócios. Ter uma consciência social e ambiental está a deixar de ser uma opção, e é um orgulho para nós estarmos no grupo pioneiro no mundo que acredita que as empresas podem melhorar o mundo.

Na visão da empresa, o que é essencial ser transformado para que o mundo corporativo traga mais benefícios para o mundo em geral?
É necessário em primeiro lugar que os líderes das empresas de hoje (os decisores, C-suite, board, comissão executiva, diretores) e de amanhã (os estudantes) se apercebam que o modelo em que se costumava trabalhar está ultrapassado. O lucro como objetivo único é insuportável, cria desigualdades tremendas e leva a escolhas erradas, insustentáveis. Depois de confrontados com esta nova realidade, os decisores das empresas irão aperceber-se de que terão clientes mais fiéis, colaboradores mais motivados, uma comunidade mais unida e um planeta habitável durante muito mais tempo, se passarem a tomar as suas decisões trazendo as preocupações sociais e ambientais para o mesmo patamar das financeiras. De forma a que isto aconteça a uma escala verdadeiramente global será necessário que haja mais diversidade, nomeadamente de género, nas posições de chefia das empresas.

Que outra empresa ou projeto vos inspira?
À data existem 2655 empresas certificadas B em 60 países, distribuídas por 150 indústrias. Qualquer uma das empresas em B Corp é uma inspiração e uma motivação. Um bom exemplo é a Yoni, uma empresa holandesa que conhecemos num evento europeu das empresas B, cuja fundadora descobriu que os pensos higiénicos e tampões que se vendem nos supermercados não têm os ingredientes listados e que contêm químicos e plásticos. Nasceu assim a Yoni, que faz pensos e tampões 100% algodão orgânico, e que temos orgulho em vender na The Manipedi, estando assim acessíveis ao mercado português. As parcerias entre empresas B são também uma fonte de inspiração.

Desafiam/desafiariam ouras empresas a pertencer a aderir a este movimento? Porquê?
Absolutamente! Desafio-vos a preencher o questionário reduzido e a analisarem o vosso diagnóstico. Mesmo que não tenham ainda 80 pontos a plataforma da B Lab permite identificar áreas de melhoria, de forma a conseguir melhorar o impacto da empresa, e é um excelente instrumento para auto-conhecimento.


 

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