Deputados do PS/Açores na AR questionam Governo sobre apoios à agricultura

Os deputados socialistas eleitos pelo círculo dos Açores para a Assembleia da República querem que o Governo esclareça os motivos da exclusão dos agricultores açorianos dos apoios anunciados para combater os custos de produção.

Green Savers com Lusa

Os deputados socialistas eleitos pelo círculo dos Açores para a Assembleia da República querem que o Governo esclareça os motivos da exclusão dos agricultores açorianos dos apoios anunciados para combater os custos de produção.

Numa pergunta dirigida ao Governo, João Castro, Francisco César e Sérgio Ávila querem que os ministros da Agricultura e Finanças esclareçam os “motivos de exclusão dos agricultores das regiões das medidas excecionais de compensação pelo acréscimo de custos de produção da atividade agrícola”.

Em 24 de março, o Governo anunciou que iria atribuir este ano um apoio de 140 milhões de euros à produção agrícola, que seria destinado, de forma direta, aos produtores agrícolas para fazer face ao aumento dos custos de produção, mas deixou os Açores e Madeira fora desta medida.

Citado em nota de imprensa, os parlamentares socialistas questionam se “os apoios mencionados são de âmbito comunitário ou financiados pelo Orçamento do Estado e em que medida pode a sua origem determinar a sua aplicabilidade”, para que os agricultores das regiões possam “também beneficiar dos sistemas de apoios implementados para o continente português”.

Nos últimos meses, o Governo dos Açores (PSD), a oposição e os agricultores têm criticado a exclusão da região dos apoios nacionais para mitigar o impacto da guerra da Ucrânia e a consequente subida de custos.

O ministério esclareceu que as portarias n.º120-A/2023 e 120-B/2013 não incluem as regiões autónomas, uma vez que em causa está um apoio financiado, em exclusivo, pelo Orçamento do Estado (OE) do continente.

Assim, o executivo diz ter atuado em “conformidade e coerência”, procurando não interferir nas políticas públicas dos Governos regionais.

Em 12 de maio, a Federação Agrícola dos Açores (FAA) considerou “claramente discriminatório” o facto de a região ficar de fora das medidas para a estabilização de preços dos bens alimentares, publicadas em Diário da República.

O organismo, presidido por Jorge Rita, referiu, em nota de imprensa, que lamenta que “as medidas do pacto para a estabilização de preços dos bens alimentares, publicadas em Diário da República, sejam exclusivamente destinados ao setor agrícola continental, não se aplicando desta forma, à Região Autónoma dos Açores”.

“Estas medidas destinam-se a mitigar o efeito da subida dos custos de produção que ocorreram nas explorações agrícolas devido à invasão da Ucrânia pela Rússia, pelo que, a compensação excecional e temporária dirigida aos agricultores, bem como os apoios criados para minimizar o aumento dos combustíveis e da eletricidade, são mais do que justos”, afirmou.

Já em 19 de maio, o presidente do Governo dos Açores considerou que o país “é uno” e que é legítima a aspiração da agricultura regional de ser abrangida pelas medidas nacionais para a estabilização de preços dos bens alimentares.

“É justo o que o senhor presidente da Federação Agrícola dos Açores aqui fez referência: o país é uno, sendo esta uma das grandes questões da Constituição da República portuguesa. Os portugueses são portugueses nos Açores, na Madeira e no continente”, afirmou José Manuel Bolieiro (PSD).

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