Morcegos das cidades dão à luz mais cedo do que os que vivem em zonas rurais



Os morcegos que vivem em ambientes urbanos dão à luz, em média, cerca de 2,5 semanas mais cedo do que os congéneres que habitam zonas rurais.

A conclusão é de uma investigação publicada na revista ‘BMC Biology’, liderada pela Universidade de Tel Aviv (Israel), descrita pelos seus autores como sendo a primeira a traçar uma ligação entre viver em cidades e o momento do nascimento num mamífero.

Os cientistas envolvidos no trabalho consideram que o desfasamento entre os tempos de gestação de cada população se deve ao facto de nas cidades os morcegos terem acesso a uma maior abundância de alimento e experienciarem temperaturas mais favoráveis.

Morcego-da-fruta fêmea transporta a sua cria durante o voo numa cidade.
Foto: Yuval Barkai / Universidade de Tel Aviv

Os resultados derivam de trabalho realizado entre 2021 e 2024, período durante o qual a equipa acompanhou 10 colónias de morcegos-da-fruta da espécie Rousettus aegyptiacus: cinco em cidades e cinco em zonas rurais.

Através do estudo de cerca de 120 crias, os investigadores perceberam que as que nasciam em colónias urbanas eram, em média, 2,5 semanas mais velhas do que as contrapartes rurais, exibindo braços maiores e sendo mais pesadas.

“Os morcegos-da-fruta que vivem em cidades beneficiam de condições ambientais favoráveis, incluindo temperaturas mais elevadas devido ao efeito de ‘ilha de calor urbana’ e maior abundância de alimento, principalmente de árvores de fruto ornamentais que são regadas todo o ano”, explica, em comunicado, Yossi Yovel, primeiro autor do artigo.

“Estas condições permitem aos morcegos urbanos lidar melhor com invernos rigorosos e começar mais cedo os seus ciclos reprodutivos”, acrescenta, pelo que as fêmeas podem engravidar e dar à luz antes dos morcegos rurais, “aumentando as suas hipóteses de voltarem a engravidar no mesmo ano”.

Contudo, os investigadores salientam que ainda não se sabe ao certo se as fêmeas estão, de facto, a engravidar mais cedo ou se estão a encurtar os períodos de gestão, um fenómeno já descrito para outras espécies de morcegos.

Seja como for, para já acreditam que o estudo abrirá novas vias de investigação sobre como a vida nas cidades está a afetar os padrões de reprodução de mamíferos no geral, e dos morcegos em particular, e para perceber melhor como proteger essas e outras espécies em ambientes em transformação.

“Este estudo salienta a importância de se compreender a ligação entre os animais e os seus ambientes, especialmente numa era em que a urbanização está a mudar o planeta”, aponta Yovel.






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