Caça furtiva de rinocerontes em África diminui mas tráfico continua a ser “séria ameaça”

A caça furtiva foi responsável pela perda de 2,15% da população total de rinocerontes em África em 2024, o registo mais baixo desde 2011, mas populações de algumas espécies continuam a sofrer perdas.

Filipe Pimentel Rações

A caça furtiva foi responsável pela perda de 2,15% da população total de rinocerontes em África em 2024, o registo mais baixo desde 2011. Medidas de proteção locais, reforço da vigilância e maior envolvimento dos governos e comunidades locais foram as causas da melhoria.

No entanto, a população africana de rinocerontes, ainda assim, caiu 6,7% no ano passado, para uns estimados 22.540 animais em todo o continente, revela relatório publicado recentemente pela organização Traffic e pela Comissão de Sobrevivência das Espécies da União Internacional para a Conservação da Natureza (CSS-UICN).

Os especialistas explicam que essa queda deveu-se sobretudo à diminuição dos rinocerontes-brancos (Ceratotherium simum), cuja população em África contraiu mais de 11%, para o número mais baixo desde 2007. A conjugação de vários fatores, como aumento da caça furtiva e secas prolongadas, foram as principais causas.

De recordar que, na semana passada, a organização International Rhino Foundation avançou que as populações de rinocerontes-negros (Diceros bicornis) em África tinham aumentado ligeiramente desde 2023, com algo semelhante a observar-se nos rinocerontes-indianos (Rhinoceros unicornis). No entanto, o número de rinocerontes-de-sumatra (Dicerorhinus sumatrensis) manteve-se praticamente inalterado desde 2022 e os rinocerontes-brancos e os rinocerontes-de-java (Rhinoceros sondaicus) continuaram a sofrer perdas nos últimos anos.

“Apesar dos ganhos encorajadores que se conseguiram na recuperação do rinoceronte-negro, o recente declínio nos números dos rinocerontes-brancos recorda-nos dolorosamente que o progresso da conservação continua frágil”, diz, citado em nota, Dave Balfour, responsável do grupo de especialistas em rinocerontes africanos da CSS-UICN.

“O sucesso duradouro depende não apenas de uma forte proteção, mas também de abordagens integradas de gestão que incluam e empoderem os povos locais. Esforços de conservação alicerçados na custódia local, na partilha de benefícios e na governança colaborativa são essenciais para assegurar o futuro dos rinocerotes de África”, sustenta.

Segundo o mesmo relatório, na África do Sul, país onde vive a maior parte dos rinocerontes selvagens que existem atualmente no planeta, registou-se um aumento da caça furtiva no início de 2025, com a morte de pelo menos 91 rinocerontes só no primeiro trimestre do ano. Muitas dessas mortes aconteceram em reservas de gestão privada.

Embora os dados apontem para uma redução do tráfico global de chifres de rinoceronte, desde que alcançou um pico em 2019, a ameaça persiste. Entre 2021 e 2023, registaram-se, em todo o mundo, mais de 750 apreensões de chifres, umas estimadas 1,8 toneladas, o equivalente a 716 chifres inteiros.

“Ainda que o comércio ilegal de chifre de rinoceronte tenha diminuído desde o seu pico, continua a ser uma séria ameaça”, salienta Sharon Baruch-Mordo, especialista da Traffic em comércio de produtos derivados de elefantes e de rinocerontes.

Os investigadores e cientistas apelam a uma cooperação internacional reforçada, à partilha de informações e a investimentos de longo-prazo para travar as ameaças que continuam a manter o futuro dos rinocerontes, e de muitas outras espécie por este planeta fora, na orla da incerteza.

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