Um grupo de investigadores liderado por Hai-Tao Shi, da Universidade Normal de Hainan, defende que a conservação continua excessivamente focada em espécies carismáticas, ignorando funções essenciais dos ecossistemas. O alerta é publicado na revista científica PLOS Biology.
Com muitas espécies em declínio, a pressão para agir rapidamente tem levado a estratégias simplificadas, argumentam os autores. Em vários países, incluindo a China, o número de indivíduos de uma espécie “bandeira” continua a ser visto como indicador da saúde de todo o ecossistema — uma abordagem que os investigadores classificam como insuficiente e, por vezes, prejudicial.
Três lições da China
O artigo detalha três casos ilustrativos, sendo um dele o da salamandra-gigante-da-china (Andrias davidianus), considerada uma espécie “críptica”, composta por várias populações geneticamente distintas mas indistinguíveis à vista desarmada. Programas de reprodução em cativeiro misturaram inadvertidamente estas linhas genéticas, ameaçando populações nativas.
Apesar de bem intencionados, dizem os investigadores, estes programas acabaram por introduzir desequilíbrios ecológicos e falharam no objetivo principal: recuperar populações de forma sustentável.
Restaurar ecossistemas, não números
Para evitar que estes erros se repitam, os investigadores defendem uma mudança de paradigma. Em vez de programas centrados numa única espécie, sugerem modelos de conservação que valorizem o restauro de habitats, o equilíbrio ecológico e uma intervenção humana mínima.
Embora o debate sobre proteção de ecossistemas esteja a ganhar força, os autores sublinham que a conservação baseada em espécies carismáticas continua comum tanto na China como noutros países.
Concluem com um aviso claro: “A conservação de espécies carismáticas que não pertencem à megafauna pode ser ineficaz quando o sucesso é medido apenas pela sua abundância e não contribui para restaurar os ecossistemas e as suas funções a longo prazo.”









