Mãos fora da Gronelândia: Verdes Europeus exigem unidade da UE face à pressão de Trump

A Europa deve responder com firmeza e unidade ao que os Verdes Europeus classificam como uma tentativa de chantagem económica por parte do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no contexto da sua pressão para obter controlo sobre a Gronelândia, território autónomo integrante do Reino da Dinamarca.

Redação

A Europa deve responder com firmeza e unidade ao que os Verdes Europeus classificam como uma tentativa de chantagem económica por parte do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no contexto da sua pressão para obter controlo sobre a Gronelândia, território autónomo integrante do Reino da Dinamarca.

Em comunicado, os copresidentes do Partido Verde Europeu alertam para a gravidade da estratégia adotada por Washington, que inclui a ameaça de imposição de tarifas comerciais como instrumento de pressão política. Para os Verdes, trata-se de um desafio direto às regras internacionais e à soberania europeia.

Ciarán Cuffe, copresidente do Partido Verde Europeu, acusa Donald Trump de ignorar princípios básicos das relações internacionais. “A tentativa de Trump de chantagear países europeus através de tarifas demonstra um total desrespeito pelas regras internacionais, pela razão e pelos aliados”, afirmou. O responsável considera particularmente preocupante a mensagem dirigida ao primeiro-ministro norueguês, na qual Trump terá associado a não atribuição de um Prémio Nobel ao seu comportamento agressivo em relação à Gronelândia.

Segundo Cuffe, a União Europeia dispõe já dos instrumentos necessários para responder. “O Instrumento Anti-Coerção da UE existe precisamente para situações como esta: contrariar a chantagem económica externa e garantir uma resposta europeia unida. Os Estados-membros devem reagir com determinação e exigir à Comissão Europeia a ativação imediata deste mecanismo”, defendeu.

Também Vula Tsetsi, copresidente do Partido Verde Europeu, sublinhou que a resposta europeia não pode ser tímida. “Quando o comércio e as tarifas são usados como armas, a Europa deve responder com poder, não com cortesia”, afirmou. Para Tsetsi, a pressão exercida sobre a Gronelândia “é coerção, não diplomacia”, e representa uma negação do direito do povo gronelandês a decidir livremente o seu futuro.

A dirigente verde deixou ainda um aviso aos líderes europeus reunidos esta semana no Conselho Europeu. “Chegou o momento de deixar de hesitar e de ativar o Instrumento Anti-Coerção da UE, traçando uma linha vermelha clara contra a agenda imperial de Trump. A Europa ou age em conjunto agora, ou mostra que pode ser intimidada”, afirmou, acrescentando que o Partido Verde acompanhará atentamente as posições assumidas pelos aliados de Trump dentro da União Europeia.

O caso da Gronelândia volta, assim, a colocar no centro do debate europeu a necessidade de uma política externa mais assertiva e coordenada, num contexto internacional marcado pelo aumento das tensões geopolíticas e pelo recurso crescente à pressão económica como ferramenta de poder.

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