Grupos ecológicos processaram o governo dos EUA na segunda-feira, por este ter aprovado, em março, o projeto da BP de perfuração no mar alto, no Golfo do México.
A apresentação da queixa coincidiu com o 16.º aniversário do pior derrame de petróleo no mar na história dos EUA, ao largo das costas do Estado do Luisiana, quando a plataforma Deepwater Horizon, da BP, derramou 500 milhões de litros de petróleo no oceano, causando a morte a 11 pessoas e estragos e destruição na vida selvagem e na orla costeira no montante de milhares de milhões de dólares.
O governo aprovou em março o projeto Kaskida, da BP, com um investimento de cinco mil milhões de dólares, que é o primeiro campo petrolífero da empresa no Golfo desde 2010. A BP já adiantou que pode ter uma capacidade de produção de 80 mil barris de petróleo por dia.
Os grupos Healthy Gulf, Habitat Recovery Project, Center for Biological Diversity e outros exigiram a revisão da aprovação do projeto na sua petição apresentada contra o Departamento do Interior, o secretário Doug Burgum, a Agência de Gestão da Energia Oceânica e o diretor Matthew Giacona.
Os grupos afirmam que a informação requerida para a aprovação está em falta e não demonstra que a BP tenha as qualificações para realizar as perfurações em segurança na profundidade em causa.
Acrescentaram também que o Kaskida ameaça a saúde dos residentes no Golfo, destrói os ecossistemas e compromete as indústrias da pesca e do turismo.
“O governo Trump preparou toda a região do Golfo para uma sequela do Deepwater Horizon” ao aprovar o projeto, disse Brettny Hardy, advogado da Earthjustice, que representa os queixosos.
Vários congressistas procuraram, em 2025, que o governo rejeitasse o projeto.
A porta-voz do Departamento do Interior, Charlotte Taylor, disse à AP que o Departamento não comenta processos em curso.
Mas salientou que o projeto Kaskida “representa um grande passo em frente, ao libertar mais de 275 milhões de barris de petróleo até agora indisponível. Este desenvolvimento vai levar à criação de emprego, reforçar a sgurança nacional e ajudar a reduzir os custos da energia para as famílias (norte-)americanas”.
O aumento da produção de energia fóssil tem sido uma prioridade para Donald Trump, que tem anulado e reduzido várias regulações consideradas inamistosas para a indústria.
O Golfo do México, que representa 15% do petróleo produzido anualmente nos EUA, com cerca de dois milhões de barris por dia, tem tido muita atenção por parte de Trump.
O governo anunciou este mês que ia fundir a Agência de Gestão da Energia Oceânica e a da Segurança Ambiental, na nova Agência de Minerais Marítimos, para acelerar as autorizações de perfuração no ar alto de petróleo e gás.
As duas agências tinham sido separadas no seguimento do derrame de 2010.
Em março, o governo já tinha dispensado as atividades de perfuração no Golfo da Lei das Espécies Ameaçadas, que considera ilegal afetar ou matar espécies constantes de uma lista, com 0o argumento da segurança nacional.
O porta-voz da BP America, Paul Takahashi, disse à AP que o Deepwater Horizon mudou a empresa para sempre.
Acrscentou que a BP acredita que o processo não tem fundamento e que “está totalmente confiante no desenvolvimento deste projeto de forma segura, responsável e em conformidade com a legislação dos EUA e os padrões da indústria”.
Justamente em março, um derrame de petróleo no Golfo espalhou-se ao longo de 600 quilómetros, contaminou sete reservas naturais e lançou mais de 800 toneladas de resíduos de hidrocarbonetos no oceano.
Muitas das decisões de Trump reverteram decisões do antecessor, o democrata Joe Biden, que proibiu novas perfurações de petróleo e gás em parte substancial das águas costeiras dos EUA.









