O Plano Específico de Gestão das Águas (PEGA) do Rio Leça deixará aquela bacia hidrográfica “mais saudável” e a associação intermunicipal espera contar com o envolvimento da população para o defender, disse hoje à Lusa Luísa Salgueiro.
Segundo a presidente da associação Corredor do Rio Leça, e líder da Câmara de Matosinhos, o projeto “é um corolário lógico do trabalho” que tem vindo a ser desenvolvido nos últimos quatro anos.
“Agora, vai escalar o tipo de intervenção que temos, também com recursos maiores e com grande envolvimento da comunidade, (…) não só os quatro municípios, mas também um trabalho com grande participação da população”, reforça.
A Corredor do Rio Leça junta os municípios de Matosinhos, Santo Tirso, Maia e Valongo, atravessadas pelo rio e pelas ribeiras associadas, e promoveu o PEGA, o primeiro do país, em consulta pública até 12 de junho, prevendo 81 milhões de euros em investimento de 2027 até 2034.
Havendo “já um forte investimento em infraestruturas”, é preciso “também avançar na qualidade da água do rio”, lembrando Luísa Salgueiro as três ETAR ao longo do rio, fora do município que lidera, em Ermesinde, Parada e Moreira.
“Com o PEGA e com o investimento que daqui resultará, nós temos condições para aprofundar o trabalho e (…) ver os efeitos desta vontade, da despoluição e da melhoria da qualidade da água. Ela resulta muito das estações elevatórias e do trabalho nas estações elevatórias e nas ETAR”, afirma.
O plano apresenta, assim, uma “visão transversal de todas as ações ao longo de toda a bacia hidrográfica”, e significa, em suma, um “rio mais saudável, e que seja um rio limpo” antes do prazo máximo do projeto.
O Leça também ficará mais preparado para fazer frente a situações e fenómenos extremos, de que já “foi vítima”, de cheias a chuvas intensas que causaram estragos, e incluirá vários outros pontos de ligação à comunidade, que é chamada a fruir do rio e da envolvente mas também a participar nas denúncias e no papel fiscalizador do meio ambiente.
“Nós precisamos que as pessoas se habituem a viver o rio e precisamos de espaços de fruição, de prática de exercício físico, de desporto informal, de convívio das famílias. (…) Com o investimento que tem vindo a ser feito, as pessoas reaproximaram-se do Leça, e isso faz com que também haja mais atenção, mais denúncias de situações irregulares, o que valorizamos positivamente”, define a autarca socialista.
Entre os destaques do projeto, 33 quilómetros de percurso ciclável que se inserem, refere Luísa Salgueiros, no plano que existe de ligar “a Trindade”, ponto nevrálgico do Metro do Porto, na baixa portuense, a este corredor verde.
“Nós vamos fazer desde o Rio Leça até ao Hospital São João, no nosso limite, e o Porto fará da estação do Hospital São João, pela zona universitária, pelo polo da Asprela. É a ciclovia do Rio Leça-Asprela, no nosso território. Depois, o Porto liga a Asprela à Trindade. E a Trindade, por sua vez, liga à rede de metro e à rede de comboio”, nota a autarca.
Luísa Salgueiro vê neste percurso um reflexo da “visão integrada e responsabilidade conjunta das câmaras do Porto e Matosinhos”, ligando o Leça à rede metropolitana.
Entre os traços gerais do primeiro PEGA do país, está a renaturalização de 19,2 quilómetros de troços, e a restauração de 16.500 metros.
Dos 81 milhões de euros, estes dividem-se em 71,7 milhões destinados ao investimento, com 9,3 milhões para operação e manutenção – do ‘bolo’ total, metade destina-se a “infraestruturas e iniciativas de envolvimento público”.
Serão removidas quatro barreiras aos cursos de água, e adaptadas outras tantas, com a criação de quatro bacias de retenção, uma em cada município, que permitirão um volume de armazenamento de 49 mil metros cúbicos em casos como cheias ou outros fenómenos extremos.









