Especialistas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) reconhecem oficialmente que existem quatro espécies de girafas no mundo, e não apenas uma como se pensava.
Um consenso científico relativamente universal dizia que as girafas eram somente uma espécie com nove subespécies. Contudo, houve sempre dúvidas sobre se essas subespécies não seria, na realidade, espécies distintas.
Em 2024, um grupo de cientistas, incluindo membros da organização Giraffe Conservation Foundation, publicou um artigo na revista ‘PLOS One’ no qual declaravam que, com base em dados morfológicos, que existam quatro espécies de girafas e não apenas uma. Agora, vêm as suas conclusões confirmadas.
Mas este relatório vai mais longe, abrangendo estudos científicos sobre a genética e a distribuição geográfica das girafas em África, o único continente onde o mamífero mais alto do mundo existe em regime selvagem.
Em comunicado, a UICN explica que análises ao ADN das várias linhagens de girafas têm “consistentemente” revelado “grandes diferenças”, entre cada uma delas, o que, argumenta a organização, “sustenta o conhecimento de múltiplas espécies”.
Essas evidências científicas, aliadas a “diferenças notáveis” na forma dos crânios entre populações que habitam regiões distintas e a dados biogeográficos que ajudam a perceber a influência de barreiras naturais (rios, montanhas, vales) na evolução das populações desses animais, culminaram na elevação de algumas subespécies ao estatuto de espécie de direito próprio, “refletindo as suas distintas histórias evolutivas”.
Assim, as quatro espécies oficialmente reconhecidas de girafas são agora a girafa-masai (Giraffa tippelskirchi), a girafa-do-norte (Giraffa camelopardalis), a girafa-do-sul (Giraffa giraffa) e a girafa-reticulada (Giraffa reticulata).
Mas continuam a existir subespécies. A girafa-masai tem duas (G. t. tippelskirchi e G. t. thornicrofti), a girafa-do-norte tem três (G. c. peralta, G. c. antiquorum e G. c. camelopardalis) e a girafa-do-sul outras duas (G. g. giraffa e G. g. angolensis).
Os cientistas acreditam que o reconhecimento das quatro espécies permitirá um conhecimento mais aprofundado não apenas sobre os aspetos biológicos, ecológicos e evolutivos únicos de cada uma delas, mas também um melhor entendimento sobre as ameaças específicas que cada uma delas enfrenta. Dessa forma, será possível, entendem, conceber ações de conservação mais adequadas às particulares de cada espécie.
A atualização taxonómica servirá agora de base para as avaliações sobre o estado de conservação das girafas em África que serão depois publicadas na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN, que, por agora, ainda só lista uma espécie de girafa.













