Portugal é um dos países que mais aposta na agricultura de conservação na Europa. Neste contexto, as “boas práticas” continuam a lançar aos empresários agrícolas o desafio de conjugar explorações agrícolas produtivas, rentáveis e eficientes com a conservação dos recursos naturais. Na 5ª edição da AGROIN, organizada anualmente pela IFE, a aposta na “Ecoinovação” reúne especialistas da área e empresários agrícolas na procura do caminho para a sustentabilidade com um racional económico e para a rentabilidade com uma preocupação ambiental. Entres eles, conta-se a presença de Namastê Messerschmidt, consultor agro-florestal brasileiro e especialista de referência em agricultura sintrópica, que estará em Portugal para falar de um sistema que pode revolucionar a forma como pensamos a floresta. O encontro realiza-se no dia 18 de Abril, no Centro de Congressos do Estoril, com entrada gratuita.

 Na abordagem ao tema, a conservação é a palavra-chave e os empresários agrícolas portugueses são dos que mais praticam agricultura de conservação na Europa. Apesar disso ainda não existe muita consciência dos resultados económicos desta opção. Se, por um lado, todos os países desenvolvidos possuem políticas específicas para apoiar o sector agrícola, a condicionalidade das ajudas da Política Agrícola Comum (PAC) obriga a que os eco-apoios sejam uma realidade a ter consideração nas contas de explorações. Redesenhar a estratégia agrícola com base nesta condicionalidade pode ser uma oportunidade a não perder.

 Por outro lado, as práticas agrícolas sustentáveis são essenciais para o combate às alterações climáticas e ao aquecimento global. Num país mediterrânico, onde ciclos de secas e de chuvas concentradas se intensificam cada vez mais, esta é uma realidade a considerar.

No mesmo contexto, nos últimos anos, a palavra energia assumiu uma importância redobrada. Mais do que poupar na conta da electricidade, os produtores estão a apostar na produção de energia renovável com retornos de investimento interessantes. Ganha o ambiente e ganha o agricultor. Mas produzir alimentos seguros, de qualidade e em quantidade só é possível com o uso eficiente dos recursos. Nesta equação, a inovação faz toda a diferença. 

Na 5ª edição da AGROIN, empresários e gestores agrícolas vão partilhar a sua visão da gestão para a sustentabilidade. Preparar e planear uma estratégia que garanta o futuro não é tarefa simples, mas é cada vez mais um imperativo nas explorações agrícolas. 

 Namastê Messerschmidt irá falar de um conceito pouco desenvolvido em Portugal, mas que pode revolucionar a forma como pensamos a floresta. O Sistema Agroflorestal de Sucessão é reconhecido como uma das técnicas de plantação mais viáveis do ponto de vista ambiental, social e económico, em que a plantação é feita de forma sincronizada com espécies agrícolas (hortícolas e frutíferas) e espécies florestais. O especialista, ligado aos mais importantes projectos brasileiros nesta área, como o “Cooperafloresta”, o “Assentamento Mário Lago”, o “Agroflorestar”, o “Instituto Oca” e a “Fazenda da Toca”, irá falar da experiência brasileira, mas também comentar o que já está a ser feito em Portugal neste campo. 

 Quais as novas formas de gestão agrícola e agro-florestal que permitem mitigar efeitos das alterações climáticas e tornar o sector mais resiliente? José Paulo Sousa, coordenador da equipa portuguesa da Universidade de Coimbra, que participa no estudo internacional ECOSERVE, vai partilhar alguns resultados.

Frank Verheijen, especialista em solos da Universidade de Aveiro (CESAM – Centro de Estudos do Ambiente e do Mar) e pioneiro nas experiências com biochar em explorações agrícolas portuguesas, vai explicar como tirar partido deste carvão que pode revolucionar a gestão da erosão dos solos. Criado a partir de biomassa, este tipo de carvão permite reduzir o dióxido de carbono na atmosfera, melhorar o solo e gerar energia limpa durante o seu fabrico.

 Neste encontro, Nuno Oliveira, Gestor de Ecossistemas da Herdade do Esporão, irá apresentar as práticas sustentáveis e inovadoras da empresa, uma referência nacional e internacional, desde a gestão de Resíduos, passando pela preservação de 189 castas num campo ampelográfico, pela criação de corredores de vida selvagem; pela rejeição de pesticidas e fungicidas; pela utilização de materiais biodegradáveis nos edifícios da Herdade ou na adoção de um Código de Ética Empresarial, numa filosofia que respira sustentabilidade. 

 Quais os incentivos e apoios existentes nesta matéria? O que se perspectiva com a nova PAC? Quais os mecanismos previstos no combate às alterações climáticas? Como podemos enquadrar a economia circular e bio-economia neste contexto? Este tema será abordado por Eduardo Diniz, do Gabinete de Políticas e Planeamento.

O debate continua colocando monocultura intensiva e sustentabilidade na mesma frase. João Coimbra, da Quinta da Cholda, conhecido por ser uma referência na produção de milho nacional, está a apostar em estratégias de biodiversidade para atingir ganhos económicos e ambientais. Em suma, ser conservacionista sem perder produtividade.

 Filipe Santos, do INESC TEC vai explicar, entre outras ideias, como se coloca um robot modular e cooperativo a trabalhar nas vinhas do Douro ou como se colocam sensores para controlar a eficiência na utilização da água, nutrientes e agroquímicos em estufas, dando exemplos de como a agricultura inteligente pode ser uma aliada de peso na estratégia da sustentabilidade.

 O encontro termina com a entrega dos Prémios Vida Rural 2018, distinguindo personalidades, empresas e projectos que se diferenciam no panorama dos agronegócios em Portugal, nas categorias: “Agricultor que marca”, “Empresa agrícola que marca”, “Investimento que marca”, “Organização de Produtores que marca”, “I&D que marca” e “Prémio Personalidade Armando Sevinate Pinto”.