Alemanha quer trazer aquacultura para os terraços e parques de estacionamento das cidades



A Efficient City Farming vai levar a aquacultura para o centro das cidades alemãs, nomeadamente para terraços de prédios e parques de estacionamento. De acordo com a empresa, os seus tanques de aquacultura podem ser construídos em quase todos os locais, bastando aos agricultores manter a água fresca e alimentar as percas. Paralelamente, os resíduos podem ser utilizados para plantar vegetais.

Segundo explica o Guardian, o projecto pretende ajudar a alimentar a cada vez maior população urbana. A ideia é simples: as percas nadam em tanques de metal, e os resíduos por estas criados podem ser utilizados para fertilizar tomates, folhas de salada e ervas, que crescem numa área acima dos tanques.

Tanto as quintas de peixes como de vegetais serão importantes para dar aos cidadãos urbanos alimentos orgânicos e produzidos localmente.

“Temos de pensar em sistemas que nos permitam produzir alimentos numa forma muito eficiente”, explicou o co-fundador da Efficient City Farming, Nicolas Leschke, que se mostrou preocupado com a falta de transparência da indústria da alimentação.

A construção da primeira aquacultura citadina está marcada para 2013: será um tanque de 7.000 metros quadrados, a construir no topo de uma fábrica desactivada em Berlim. Será a maior quinta de aquacultura do mundo.

“Os actuais níveis de pesca, nos Oceanos, estão insustentáveis, e não precisamos de ser profetas para perceber que isso não vai mudar”, explicou Leschke. “Com todos os pesticidas, antibióticos e modificações genéticas, já não sabemos o que estamos a comer”, continuou.

Os contentores não são baratos – €35 mil (R$88,3 mil) – nem vão salvar o mundo. “Os nossos produtos não são baratos e não somos a solução para todos os problemas do mundo, mas sim um passo na direcção certa”, conclui Leschke.

Desde que haja água, electricidade e comida, diz a Efficient City Farming, os tanques podem durar para sempre. O sistema Astaf Pro, desenvolvido por cientistas do Instituto Leibniz, permite aos agricultores terem um maior controlo sobre os níveis de nitrato na água, para maximizar a quantidade de peixes e vegetais.

Com a população urbana a crescer para níveis nunca antes vistos, quem sabe se uma das soluções para a alimentação sustentável não poderá vir da aquacultura urbana – apesar de todas as dúvidas que esta prática suscita nos activistas ambientais.





Notícias relacionadas



Comentários
Loading...