Angola designa a “Fonte da Vida” como a primeira Zona Húmida de Importância Internacional do país

Nas terras altas do centro e sudeste de Angola, a área localmente conhecida como Lisima Lya Mwono, ou “Fonte da Vida” na língua Luchazi, foi reconhecida como a primeira Zona Húmida de Importância Internacional no país.

Green Savers Redação

Nas terras altas do centro e sudeste de Angola, a área localmente conhecida como Lisima Lya Mwono, ou “Fonte da Vida” na língua Luchazi, foi reconhecida como a primeira Zona Húmida de Importância Internacional no país.

Classificada oficialmente no passado dia 6 de janeiro como um “Sítio Ramsar” ao abrigo da Convenção sobre as Zonas Húmidas de Importância Internacional (ou Convenção de Ramsar), cobre mais de 53.000 quilómetros quadrados na região biogeográfica do Zambese.

Lisima Lya Mwono forma uma grande bacia hidrográfica que alimenta sistemas fluviais que, por sua vez, sustentam zonas húmidas a jusante, como o Delta do Okavango, no nordeste do Botsuana.

Além de essa zona recarregar águas subterrâneas que são fundamentais para manter florestas de Miombo e turfeiras por mais de 110.000 quilómetros quadrados, é também o lar de uma grande diversidade de formas de vida animal e vegetal, algumas das quais ameaçadas, como a planta carnívora Genlisea angolensis, chitas (Acinonyx jubatus), leões (Panthera leo), mabecos (Lycaon pictus) e palancas-negras-gigantes (Hippotragus niger variani).

A importância de Lisima Lya Mwono para a biodiversidade vai além das espécies terrestres, pois nesse local estão registadas mais de 18 espécies endémicas ou quase-endémicas de peixes e é um local de grande importância para a reprodução do Hydrocynus vittatus.

“Lisima Lya Mwono tem um papel central na proteção da biodiversidade e na manutenção de sistemas hidrológicos de relevância regional e global”, declara a Convenção de Ramsar na sua página online, que, ainda assim, não deixa de salientar que a área é ameaçada pela extração de água e pelo desenvolvimento humano.

Num texto publicado no portal do Ministério do Ambiente de Angola, Lisima Lya Mwono é descrita como “uma joia ambiental que merece ser preservada e reconhecida internacionalmente”.

“O seu futuro como sítio Ramsar não só fortalecerá a conservação de seu ecossistema, mas também trará benefícios duradouros para as comunidades e para o planeta uma verdadeira oportunidade de liderar pelo exemplo na África Austral”, detalha a mesma fonte.

Em comunicado, Ian Miller, cientista-chefe da National Geographic Society, diz que a designação de Lisima Lya Mwono como Sítio Ramsar é o resultado de vários anos de trabalho e que resulta da colaboração entre entidades governamentais, organizações e comunidades locais “que cuidam deste ecossistema há milénios”.

Miller acrescenta que este resultado em muito se deve ao trabalho desenvolvido pelas equipas no âmbito da iniciativa “Okavango Eternal”, uma parceria entre a National Geographic e a empresa multinacional de diamantes De Beers.

“As suas investigações científicas rigorosas, a preservação do conhecimento tradicional e a divulgação de histórias sobre a importância desses recursos aquáticos ajudou a aumentar a visibilidade da importância ecológica e cultural crítica desta área”, afirma.

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