Na busca por materiais sustentáveis, muitas vezes acabamos por redescobrimos materiais que foram usados durante séculos e, depois, quase esquecido pela modernidade. É esse o caso do bamboo e também do rattan – um material que provém de várias espécies de plantas trepadeiras.

A coonferência Global Bamboo and Rattan Congress realizou-se em Pequim exatamente com o objetivo de relembrar o público da importância destes materiais em projetos sustentáveis, e teve o apoio do International Bamboo and Rattan Organisation (INBAR), bem como do governo Chinês.

O diretor geral do INBAR diz que “o bamboo não é uma panaceia milagrosa para [combater] as mudanças climáticas, mas é uma «oportunidade perdida» para ajudar a mitigar os efeitos das mudanças climáticas.”

Mas em que características tão positivas são estas que tornam o bamboo num aliado ao combate às mudanças climáticas? Segundo o INBAR, são várias.

O bamboo apresenta características de força superiores ao aço e cimento, pelo que é uma alternativa na indústria de construção a estes materiais que são muito mais intensivos do ponto de vista das emissões de CO2. Esta planta pode também ser usada como base de produtos como mobília e chão, ou em substituição de outros menos ecológicos como é o caso de plástico e metais. Por outro lado, o bamboo é um recurso renovável que serve também de alimento e refúgio a uma diversidade de animais selvagens e ajuda a recuperar terrenos degradados. É, ainda, uma planta capaz de capturar uma maior quantidade de CO2 quando comparado com outras, e pode ser colhido muito mais rapidamente que a madeira – num período de 20 anos, o bamboo produz quase 12 vezes mais material que a madeira. Quando combinamos a capacidade de o bamboo substituir materiais de construção que emitem muito mais CO2 com a sua capacidade de absorção deste gás, o INBAR indica que a planta tem um enorme potencial para armazenar este gás potenciador do efeito de estufa: entre 200 a 400 toneladas de carbono por hectare. Na China, estima-se que o bamboo vá ser responsável por retirar da atmosfera um milhão de toneladas de CO2 até 2050.

O INBAR indica que nos países mais desenvolvidos, o potencial de plantas com o bamboo e o rattan não é suficientemente conhecido. “O potencial é imenso. É entendido pelas pessoas na indústria florestal, mas não pelos políticos. Nesta conferência queremos ajudá-los a perceber esse potencial com exemplos concretos.”

Entre estes exemplos concretos, a conferência teve em exibição desde aerogeradores feitos de bamboo com nove metros de altura a fraldas de bamboo. É uma indústria com um potencial ainda não reconhecido por muitos, exceto na china onde já emprega 10 milhões de pessoas e está avaliada em 30 mil milhões de dólares ao ano.

Agora, é também preciso que o público faça a sua parte e espalhe as boas novas sobre este material sustentável e alternativo.