Combater poluição do ar em África crucial para o mundo atingir metas climáticas globais



Ao longo das últimas décadas, a qualidade do ar nos países africanos tem vindo a deteriorar-se significativamente. No continente, estão algumas das cidades mais poluídas do mundo, fruto da queima de biomassa, do uso de combustíveis fósseis e de veículos velhos para aí enviados pela Europa.

O alerta é feito por um grupo de investigadores do Reino Unido, Quénia e Uganda, que, num artigo publicado esta semana na revista ‘Nature Geoscience’, dizem que a comunidade internacional tem de consertar esforços para reduzir a poluição atmosférica em África ou arrisca falhar a metas climáticas globais com as quais se comprometeu.

“A poluição do ar em África não é apenas um problema para as pessoas que vivem no continente”, destaca Francis Pope, investigador da Universidade de Birmingham e um dos autores do estudo. É, sim, um problema de todos, que, se nada for feito, poderá limitar “a capacidade para alcançar os objetivos climáticos globais e o combate à emergência climática”.

Embora tenham sido dados alguns passos importantes para reduzir a poluição atmosférica em África, “muito continua ainda por fazer”, alertam os cientistas, que apelam a uma maior cooperação regional e internacional “para alcançar mudanças reais e impulsionar conhecimento existente para controlar e reduzir a poluição do ar”.

Entre as recomendações feitas, a equipa aponta a importância do reforço do investimento internacional em energias limpas no continente, como a solar, a eólica e a hídrica, numa altura em que se estima que o consumo energético em África deverá duplicar até 2040.

Além disso, referem que esses apoios serão fundamentais para que os países africanos possam trilhar o seu próprio caminho em direção à sustentabilidade sem terem de estar dependentes de “tecnologia suja e obsoleta” enviada pelos países mais ricos do hemisfério Norte.

Salientando que a poluição do ar é um fenómeno “complexo e multifacetado”, o coautor Gabriel Okello, da Universidade de Cambridge e o Centro Africano para o Ar Limpo, considera que a sua resolução “exige abordagens mais ambiciosas, colaborativas e participativas”, envolvendo legisladores, academia, empresas e comunidades.

Por sua vez, Andriannah Mbandi, da Universidade do Sudeste do Quénia, recorda que “o fardo da poluição atmosférica recai injustamente sobre as populações mais pobres”, especialmente sobre as mulheres e as crianças. Como tal, continua, ações para melhorar a qualidade do ar “ajudarão a responder a algumas destas injustiças em África, adicionalmente ao benefícios para a saúde e para o ambiente”.





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