Como formigas invasoras estão a mudar a forma como os leões caçam em África



Os leões são dos grandes predadores das savanas africanas, e importantes elementos das teias alimentares, ajudando a controlar as populações de herbívoros e, dessa forma, a sustentabilidade dos ecossistemas.

No entanto, até mesmo os grandes podem ser afetados pelas mais pequenas criaturas. Uma espécie invasora de formiga, a Pheidole megacephala, está a causar profundas transformações nas dinâmicas ecológicas no Quénia, afetando o comportamento de caça do ‘rei da selva’.

Uma equipa de 20 investigadores dos Estados Unidos da América, do Canadá e do Quénia revelam que essas formigas estão a quebrar a relação de mutualismo, de ganho mútuo, entre as acácias e formigas nativas, do género Crematogaster. Essas formigas vivem nas acácias e, como são ferozmente territoriais, protegem a árvore contra grandes herbívoros, como elefantes e girafas, e, assim, ajudam a manter a cobertura florestal.

As formigas Pheidole megacephala, espécie invasora que terá chegado à savana queniana há cerca de 15 anos, alimenta-se vorazmente das colónias de outras formigas que protegem as árvores dos herbívoros. Contudo, as P. megacephala não defendem as árvores, deixando-as vulneráveis à predação dos elefantes e girafas.
Foto: Philipp Hoenle / Wikimedia Commons

Acontece que as formigas P. megacephala, que terão chegado à savana queniana há não mais de duas décadas, são predadoras de outros insetos, incluindo das formigas protetoras das acácias, dizimando as suas colónias e deixando as árvores vulneráveis aos herbívoros. Resultado? A cobertura florestal é reduzida.

E isso afeta os leões, pois usam o refúgio arbóreo para caçarem a sua presa preferida: a zebra. Com menos árvores, o sucesso das caçadas leoninas fica comprometido.

“Por vezes, descobrimos que são as pequenas coisas que regem o mundo”, afirma, em comunicado, Todd Palmer, da Universidade da Flórida e um dos autores do artigo publicado na revista ‘Science’. “Agora vemos que [as formigas P. megacephala] estão a transformar paisagens de formas muito subtis, mas com efeitos devastadores”.

Mas nem tudo está perdido. Com a possibilidade de caçar zebras reduzida por falta de esconderijos, os leões parecem, sugerem os investigadores, estar a voltar a sua atenção para os búfalos-africanos (Syncerus caffer).

Ainda que esses ungulados representem um maior desafio do que as zebras, porque são animais mais corpulentos, viajam em grupos e estão armados com chifres e com uma ferocidade que podem ferir gravemente ou mesmo matar os predadores, os cientistas dizem que essa adaptação impediu que a populações de leões sofresse declínios.

No artigo, argumentam que, embora “a invasão” das formigas P. megacephala tenha alterado “a distribuição espacial” das caçadas às zebras na savana queniana e feito com que hoje sejam menos frequentes do que antes, o facto de os leões terem mudado de presa “permitiu, até agora, evitar quaisquer efeitos em cascata nos números dos leões”. Ainda assim, não existem certezas sobre os limites da capacidade de adaptação desses grandes felídeos à medida que as populações de formigas invasoras aumentam.





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