A produção global de energia solar e eólica ultrapassou, pela primeira vez, a geração elétrica a partir do carvão — um marco histórico na transição energética, revelado por um novo relatório do think tank Ember.
Segundo a análise, publicada esta terça-feira, a produção de energia solar cresceu 31% a nível mundial no primeiro semestre do ano, o maior aumento já registado. Já a energia eólica aumentou 7,7% no mesmo período. Em conjunto, estas duas fontes limpas geraram mais de 400 terawatts-hora adicionais — um valor superior ao crescimento total da procura global de eletricidade nesse intervalo.
Este avanço permitiu que, pela primeira vez, as energias renováveis combinadas produzissem mais eletricidade do que o carvão, tradicionalmente o maior contribuinte para as emissões do setor energético.
Apesar da crescente procura mundial por eletricidade, os dados mostram que é possível reduzir gradualmente a dependência de fontes poluentes, desde que os investimentos em tecnologias limpas — como solar, eólica, hídrica, bioenergia e geotérmica — se mantenham constantes.
“Isto mostra que as renováveis conseguem acompanhar o ritmo do aumento da procura global”, afirma Małgorzata Wiatros-Motyka, analista sénior de eletricidade da Ember e autora principal do estudo.
Geração fóssil estabiliza e emissões podem estar a atingir o pico
Em contraste com o crescimento das renováveis, a geração de eletricidade a partir de combustíveis fósseis caiu ligeiramente, com uma descida inferior a 1%. Ainda que modesta, esta redução pode representar um momento de viragem.
“A queda pode parecer pequena, mas é simbólica. Estamos possivelmente a assistir a um ponto de inflexão, com as emissões a estabilizarem”, destaca Wiatros-Motyka.
O relatório da Ember reforça a importância do investimento contínuo em fontes limpas como estratégia essencial não só para combater as alterações climáticas, mas também para garantir segurança energética num contexto de procura crescente.









