Lista Vermelha atualizada: Focas do Ártico mais perto da extinção, mais de metade das aves em declínio, mas tartarugas-verdes recuperam

Estas são algumas das principais conclusões da mais recente atualização da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, um catálogo global gerido pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) que documenta o estado da biodiversidade do planeta.

Filipe Pimentel Rações

Três espécies de focas do Ártico estão mais perto da extinção, mais de metade das espécies de aves estão em declínio global, há seis novas extinções declaradas e boas notícias para as tartarugas-verdes.

Estas são algumas das principais conclusões da mais recente atualização da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, um catálogo global gerido pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) que documenta o estado da biodiversidade do planeta.

Revelada esta sexta-feira em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, no âmbito do Congresso Mundial da Conservação, a atualização alerta que as focas-de-crista (Cystophora cristata) avançaram do estatuto de “Vulnerável” para o de “Em Perigo”. Além disso, as focas-barbudas (Erignathus barbatus) e as focas-da-gronelândia (Pagophilus groenlandicus) viram o seu estatuto agravado de “Pouco Preocupante” para “Quase Ameaçada”.

De acordo com os especialistas, a perda de gelo provocada pelo aquecimento global é a principal ameaça a essas três espécies do Ártico, que dependem de plataformas geladas para se reproduzirem, para cuidarem das crias, para descansarem e para caçarem.

Além disso, a redução da superfície marinha coberta de gelo expõe as focas a uma ameaça crescente, os humanos, que começam a obter acesso a zonas que antes lhes estavam vedadas. Com o aumento da presença humana aumenta também a poluição química e sonora gerada pelos navios, o perigo da captura acessória em artes de pesca e a caça direcionada.

Perda de floresta pressiona ainda mais as populações de aves

A nova Lista Vermelha contempla também uma reavaliação do estado de conservação das aves de todo o mundo. Segundo a UICN, 11,5% (1.256) das 11.185 espécies de aves avaliadas estão ameaçadas a nível global, e 61% de todas as espécies de aves estão em declínio, com as suas populações a decrescerem. Essa percentagem representa um agravamento a situação face em 2016, ano em que se estimou que 44% das espécies de aves tinham as suas populações em trajetória decrescente.

A principal causa dos declínios das populações de aves são a perda e a degradação dos seus habitats, fruto, sobretudo, da expansão e intensificação agrícola e da exploração madeireira.

Salientam os especialistas que em regiões como Madagáscar, África Ocidental e América Central a perda de florestas tropicais é uma ameaça cada vez maior às aves. Para Madagáscar, a atualização da Lista Vermelha colocou 14 novas espécies endémicas de aves da floresta na categoria de “Quase Ameaçada” e três em “Vulnerável. Na África Ocidental, cinco novas espécies estão agora listadas como “Quase Ameaçadas” e na América Central um delas estreou-se também nessa categoria.

Esforços de conservação permitem recuperação das tartarugas-verdes

Nem tudo são más notícias. A atualização da Lista Vermelha revela que as tartarugas-verdes (Chelonia mydas), anteriormente com o estatuto de “Em Perigo”, passaram para a categoria de “Pouco Preocupante”, uma melhoria que permitiu à espécie saltar, pela positiva, três níveis de ameaça.

Os especialistas dizem que isso foi possível graças a décadas de ações de conservação sustentadas, com a população global desses répteis marinhos a aumentar cerca de 28% desde os anos de 1970. Contudo, algumas subpopulações ainda enfrentam ameaças, como a captura ilegal dos seus ovos com fins comerciais, a mortalidade acidental em redes de pesca, a caça e a destruição dos locais de nidificação devido à construção de infraestruturas.

Grupo dos extintos aumenta

A Lista Vermelha atualizada contempla também seis novas espécies na categoria “Extinta”: o musaranho Crocidura trichura, da Ilha do Natal no oceano Índico, o caracol Conus lugubris, o maçarico-de-bico-fino (Numenius tenuirostris) visto pela última vez em Marrocos em 1995, e a planta Diospyros angulata, do mesmo género do ébano, cujo último registo na Natureza data de meados do século XIX.

Como se não bastasse, três mamíferos marsupiais australianos – Perameles myosuros, Perameles notina e Perameles papillon – e a planta Delissea sinuata, nativa do Havai, foram pela primeira vez avaliados e entraram diretamente para a categoria “Extinta”.

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