Os investigadores avaliaram o potencial de conversão de 15 espécies de ervas daninhas encontradas a oeste de Brisbane em pellets de biomassa, que foram usados como combustível sólido de biomassa.
O autor principal, Bruno de Almeida Moreira, da Queensland Alliance for Agriculture and Food Innovation da UQ, diz que duas trepadeiras, a erva-moura e o espargo trepador, foram consideradas adequadas.
“Historicamente, o mercado internacional de pellets tem-se concentrado na biomassa florestal”, explica Moreira.
“Mas com as regulamentações na Austrália determinando que os pellets de madeira não são classificados como renováveis, estamos a tentar encontrar fontes alternativas de biomassa para produzir pellets da mesma qualidade”, alerta.
“A madeira tem muito lignano, um dos componentes mais importantes, e essas ervas daninhas têm um teor de lignano de cerca de 25%, o que é competitivo”, diz ainda.
“A outra descoberta importante é que podemos produzir pellets de qualidade comercial, o que significa que existem algumas vias de conversão de ervas daninhas em pellets que podem fornecer biocombustíveis de qualidade comercial que poderíamos vender”, revela.
Os pellets foram produzidos pela startup WorkEco, de Ipswich, graças a uma subvenção inicial do Fundo Estratégico de Reforma Universitária (SURF) do Governo Australiano.
O coautor do estudo e líder do laboratório AgriSustain, o professor associado Sudhir Yadav, disse que o trabalho teve como objetivo reduzir o impacto ambiental e melhorar a sustentabilidade do setor agrícola.
“Agências como a Agência Australiana de Energia Renovável previram que a bioenergia fornecerá 20% da demanda de energia até 2050”, diz Yadav.
“É uma meta otimista, mas alcançável, e muita pesquisa é necessária para preencher essa lacuna”, adianta.
Outra das nossas áreas de investigação é a conversão de biomassa de baixo valor e resíduos agrícolas — como caules de culturas, palha, aparas de madeira e estrume animal — em produtos funcionais.
“Este trabalho pode proporcionar uma fonte de receita para uma startup, resolver um problema para um governo local e, mais importante ainda, reduzir o impacto ambiental”, explica.
Yadav diz que o trabalho está longe de estar concluído. “Temos muitas mais espécies de ervas daninhas para testar, mas sabemos que, do ponto de vista da sustentabilidade, as ervas daninhas ambientais têm um limite e, eventualmente, o abastecimento se tornará um problema”, afirma.
“Também estamos a pensar em outras fontes potenciais de biomassa, como resíduos verdes recolhidos por câmaras municipais e famílias e até mesmo algumas culturas de grande escala, como o sorgo”, adianta.
A investigação foi publicada na revista Sustainable Energy Technologies and Assessments.









