Em 2021 houve um crescimento de 103% das plantas de pinheiro-bravo certificadas



O Centro PINUS – Associação para a Valorização da Floresta de Pinho divulgou hoje a 7ª edição dos “Indicadores da Fileira do Pinho”, documento que agrega os principais dados sobre a atualidade deste setor florestal e os seus principais agentes.

Um ponto assente na publicação é que existe um desfasamento entre a tendência dos indicadores florestais e industriais. Em 2021, registou-se um crescimento de plantas de pinheiro-bravo certificadas superior ao dos últimos anos, cerca de 4,7 milhões de plantas (+103%). No entanto, para evitar a perda de área de pinheiro-bravo, teria sido necessária a plantação de 10 milhões de plantas.

Relativamente ao investimento público em gestão florestal, a associação refere este se centrou nas regiões do país onde a dimensão média da propriedade é maior, ou seja, no Alentejo e em Lisboa e Vale do Tejo, que agregaram 60% da área nacional em ZIF – Zonas de Intervenção Florestal. Ainda assim, observou-se um aumento de 9% da área em ZIF.

As exportações da Fileira do Pinho alcançaram um valor recorde de 2,2 mil milhões de euros em 2021, com um aumento de 25% face a 2020. Esta evolução superou ligeiramente a tendência nacional, em que as exportações de bens aumentaram 18% no mesmo período. Para este resultado contribuiu o contexto de aumento da procura de madeira e da resina natural como materiais sustentáveis, o aumento generalizado dos preços e o crescimento do mercado de construção e DIY (do-it-yourself).

A produção industrial da maioria dos produtos à base de pinheiro-bravo também aumentou em 2021. Houve um aumento no consumo de madeira de pinho de 1,3%, face a 2020. A serração foi o subsector com maior crescimento absoluto de consumo face a 2020, com um incremento de 7%, seguindo-se os painéis com um aumento de 14%. O défice estrutural de madeira, ou seja, o dependente da quantidade disponível para corte na floresta, representou 57% do consumo industrial em 2021.

Quanto ao segundo semestre de 2021, ficou marcado por um evidente défice estrutural de madeira, tendo-se verificado um aumento da cotação da madeira e da resina, tendência que se prolongou em 2022 e se intensificou depois do início da guerra na Ucrânia.

De acordo com o Centro Pinus, a incorporação crescente de reciclados como matéria-prima é uma dinâmica de economia circular que contribui para atenuar o efeito do défice de madeira nos setores de painéis e papel de embalagem. Em 2021 verificou-se um aumento de 19% do consumo de resíduos de madeira e de 2% no papel e cartão reciclados por empresas da Fileira do Pinho.



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