O mais recente Relatório do Estado do Ambiente (REA), publicado pela Agência Portuguesa do Ambiente este mês, revela que Portugal parece caminhar bem numas áreas, mas ficar a dever (e, em alguns casos, muito) noutras.
No que toca às emissões de gases com efeito de estufa, o documento aponta para uma redução de 38,1% entre 2005 e 2023, um valor que cai para os 9,6% quando a escala temporal é ampliada para 1990-2023. Parte dessa redução ter-se-á devido à expansão da representatividade das energias renováveis, que em 2023 contribuíram para 63% da eletricidade produzida.
Também em 2023, a área agrícola em produção biológica atingiu os 860.878 hectares, representando 22,3% de toda a área usada pela agricultura no país e um aumento para o quádruplo no espaço de cinco anos. Metade dessa área diz respeito a prados e pastagens permanentes, situando-se Portugal, assim, acima da média da União Europeia no que toca à dimensão de área agrícola dedicada à produção biológica.
Em sentido inverso, abaixo da média da UE está a taxa de circularidade dos materiais usados pela economia portuguesa. Aponta o REA 2025 que o consumo interno de materiais em 2023 aumentou 1,7% face ao ano anterior, alcançando os 160,1 milhões de toneladas. Por isso, a taxa de circularidade portuguesa situa-se nos 2,8% em 2023, bem abaixo dos 11,8% da média europeia.
Nos resíduos o quadro é agridoce. Em 2022, a reciclagem de embalagens de vidro ficou-se pelos 56,9%, não chegando à meta definida dos 60%, mas a das embalagens de papel e cartão (64,4%), de plástico (37,3%), de metal (52,1%) e de madeira 79,5%) ultrapassaram as respetivas metas de 60%, 22%, 50% e 15%.
No entanto, em 2023, a deposição de resíduos em aterro continuava elevada, fixando-se nos 59% e registava-se também a maior produção de resíduos não urbanos (RNU) desde 2008, com os setores da construção, da recolha e tratamento de resíduos e das atividades de comércio a serem responsáveis por 66% do total de RNU produzidos.
No que toca aos transportes, em 2023 os automóveis a gasóleo dominavam (63%) o parque de veículos ligeiros de passageiros, seguidos pelos movidos a gasolina (31,1%). Sobre os pesados de passageiros, 91,3% eram a gasóleo. Nesse ano registou-se um aumento de 61,1% no registo de veículos elétricos face a 2022, sendo que 90,4% eram veículos ligeiros de passageiros e de mercadorias.
O relatório destaca ainda o aumento da erosão costeira, indicando que 50% do litoral baixo e arenoso do continente apresenta tendência erosiva de longo-prazo. Estima-se que entre 1958 e 2023 Portugal continental tenha perdido para o mar cerva de 13,8 quilómetros quadrados de território costeiro.
O lixo nas praias é também de assinalar, com a Agência Portuguesa do Ambiente a salientar que, para o país conseguir alcançar os valores limites definidos pela UE, terá de reduzir em 95%, face aos níveis de 2024, a quantidade de lixo total presente nas praias do continente. A maior parte do lixo encontrado nas praias é plástico (89,5%).









