Uma equipa de investigadores do Massachussets Institute of Technology (MIT) está a tentar “redesenhar” o betão, seguindo “o diagrama da natureza”. Num artigo publicado no boletim “Construction and Building Materials”, e citado pelo Construir, a equipa substituiu a pasta de cimento – um elemento de ligação do betão – com a estrutura e as propriedades de materiais naturais como ossos, conchas e esponjas do fundo do mar.

Estes materiais biológicos são “excepcionalmente robustos e duráveis, devido, em parte, à precisa montagem das suas estruturas em múltiplas escalas de comprimento, desde o nível molecular ao macro, ou visível”.

Em comunicado de imprensa, o MIT revela que uma equipa liderada por Oral Buyukozturk, um professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental (CEE) deste instituto norte-americano, propôs uma nova abordagem à concepção de pasta de cimento, “positiva” e de inspiração a nível biológico.

Segundo Buyukozturk, os materiais são agregados de uma forma “fascinante”, com a organização de simples elementos em “complexas configurações geométricas”. “Queremos ver que tipo de micromecanismos existem no interior, que lhes conferem propriedades tão superiores e como poderemos adoptar uma abordagem semelhante para o betão”, revelou o professor.

O principal objectivo dos investigadores consiste em identificar materiais na natureza que possam ser utilizados como alternativas mais sustentáveis e duráveis do que o cimento, que requer, como sabemos, “uma enorme quantidade de energia para produzir”. “Se pudermos substituir o cimento, parcial ou totalmente, por outros materiais que estejam ampla e prontamente disponíveis na natureza, alcançamos os nossos objectivos para a sustentabilidade”, frisa o líder da equipa.

Esta mudança poderá ser aplicada em estradas, pontes e estruturas com maior durabilidade, reduzir as pegadas carbónica e energética e até possibilitar o isolamento de dióxido de carbono resultante da produção do material.

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