Estas seis espécies de morcegos brilham na luz ultravioleta

Novo estudo revela que seis espécies de morcegos da América do Norte emitem um brilho esverdeado sob luz ultravioleta, no que é considerada a primeira vez que tal fenómeno é descoberto em morcegos que vivem nessa região do mundo.

Filipe Pimentel Rações

Peixes das profundezas marinhas, pirilampos e até algumas minhocas são algumas das criaturas que nos vêm primeiro à cabeça quando pensamos em animais que brilham. No entanto, também os mamíferos podem fazê-lo nas condições certas.

Em 2023, um grupo de cientistas, num artigo publicado na revista ‘Royal Society Open Science’, revelara que 125 espécies de mamíferos preservadas num museu australiano demonstravam algum tipo de fluorescência. Dessas, 107 tinham pêlo que brilhava quando sobre ele incidia radiação ultravioleta.

Agora, um novo estudo revela que seis espécies de morcegos nativas da América do Norte apresentam um fenómeno idêntico, no que é considerada a primeira vez que tal é descoberto em morcegos que vivem nessa região do mundo.

Realizada por cientistas da Universidade da Geórgia (Estados Unidos da América) e publicada na ‘Ecology and Evolution’, a investigação mostra que os morcegos Eptesicus fuscus, Lasiurus borealis, Lasiurus seminolus, Myotis austroriparius, Myotis grisescens e Tadarida brasiliensis emitem um brilho esverdeado quando sobre eles incide luz ultravioleta.

No entanto, resta ainda saber por que razão estes mamíferos alados brilham.

“É fixe, mas não sabemos porque é que isto acontece. Qual é a função evolutiva ou adaptativa? Tem realmente alguma função para os morcegos?”, questiona, citado em comunicado, Steven Castelberry, um dos principais coautores do trabalho.

A equipa examinou 60 espécimes do Museu de História Natural da Geórgia com luz ultravioleta e percebeu que as asas e membros posteriores dos morcegos emitem fotoluminescência.

Seis espécies de morcegos da América do Norte emitem um brilho esverdeado quando sob luz ultravioleta. Foto: Roberson et al., 2025.

Tendo em conta a localização e cor do brilho, os cientistas especulam que se trata de uma característica genética, própria dos morcegos, e não de algum fator ambiental dos locais onde eles vivem.

Castelberry sugere que poderá ser uma mutação genética que, por ser de alguma forma benéfica para os animais, foi sendo passada de geração em geração nestas seis espécies de morcegos. O mesmo brilho foi detetado em machos e fêmeas e também entre as espécies estudadas, pelo que, em princípio, não servirá para identificar sexos ou para distinguir um tipo de morcego do outro.

Dado que os morcegos são capazes de ver o comprimento de onda no qual o brilho esverdeado é emitido, a equipa acredita que poderá ter sido usado na comunicação, ainda que atualmente possa já não ter qualquer utilidade.

Com base nos dados recolhidos, tudo indica que o brilho terá sido herdado por um antepassado comum às seis espécies, isto é, não desenvolveram essa capacidade de forma independente depois de se terem tornado espécies distintas.

“Embora ainda não saibamos se a fotoluminescência terá servido um propósito ecológico explícito, informações adicionais sobre as vantagens adaptativas que terá fornecido podem ser valiosas para uma melhor compreensão do comportamento e ecologia dos morcegos”, aponta Briana Roberson, primeira autora do estudo.

E esse conhecimento mais aprofundado é importante, dizem os investigadores, pois saber como os morcegos se adaptaram no passado pode ajudar a perceber como se poderão adaptar às alterações ambientais que se esperam para o futuro.

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