Greenpeace Portugal exige ação estrutural após análise do World Weather Attribution sobre chuvas extremas

O estudo analisou a precipitação máxima num só dia (Rx1day) em duas áreas particularmente afetadas pela sucessão de tempestades desde meados de janeiro: o Norte de Portugal/Noroeste de Espanha e o Sul de Portugal/Sudoeste de Espanha, incluindo o Norte de Marrocos.

Redação

A Greenpeace Portugal reagiu esta quinta-feira à mais recente análise do World Weather Attribution (WWA), que conclui que os episódios de chuva extrema no inverno estão a tornar-se mais intensos na Península Ibérica e no Norte de Marrocos, agravando os riscos para populações, habitações e infraestruturas.

O estudo analisou a precipitação máxima num só dia (Rx1day) em duas áreas particularmente afetadas pela sucessão de tempestades desde meados de janeiro: o Norte de Portugal/Noroeste de Espanha e o Sul de Portugal/Sudoeste de Espanha, incluindo o Norte de Marrocos.

Segundo a WWA, desde 1950 a intensidade dos episódios mais extremos aumentou cerca de 29% na região norte e 36% na região sul. A combinação de dados observacionais com simulações de modelos climáticos aponta ainda para um aumento “combinado” de cerca de 11% na intensidade na região norte, consistente com a influência das alterações climáticas induzidas pela atividade humana.

Impactos severos da tempestade Kristin

Em Portugal, a análise destaca os efeitos particularmente graves da tempestade Kristin. De acordo com a WWA, registaram-se seis mortes, rajadas de vento até 202 km/h e cortes de eletricidade que, no pico da tempestade, afetaram cerca de um milhão de pessoas. Perante a dimensão dos estragos, o Governo anunciou um pacote de 3,5 mil milhões de euros para apoiar a reconstrução.

Para a Greenpeace Portugal, os dados científicos reforçam a necessidade de uma resposta política que vá além da reação a situações de emergência.

“Esta análise corrobora a evidência empírica sentida pelas populações nas últimas semanas. A intensificação dos episódios de precipitação extrema traduz-se em impactos socioeconómicos cada vez mais severos e, acima de tudo, numa afronta à dignidade humana”, afirma Toni Melajoki Roseiro, citado em comunicado, defendendo que a crise climática já não pode ser encarada como uma flutuação sazonal, mas como uma alteração estrutural do sistema climático.

A organização alerta ainda que o risco se agrava quando comunidades e infraestruturas se encontram em zonas inundáveis ou em territórios cujo ordenamento não integra devidamente o risco climático.

Cinco prioridades para agir

A Greenpeace Portugal defende que a resposta nacional deve assentar em dois pilares inseparáveis — mitigação e adaptação — e apresenta cinco prioridades:

  1. Redução rápida das emissões, com aceleração da transição energética e abandono efetivo dos combustíveis fósseis, alinhado com os objetivos do Acordo de Paris.

  2. Plano de adaptação com execução efetiva, que proteja pessoas, habitações e serviços essenciais, indo além da mera resposta de emergência.

  3. Ordenamento do território responsável, travando nova ocupação de zonas de risco e reduzindo a exposição em áreas inundáveis.

  4. Infraestruturas mais resilientes, incluindo sistemas de drenagem e proteção contra cheias, reforço de redes críticas e redução de vulnerabilidades estruturais.

  5. Reforço da capacidade local, com melhor articulação entre níveis municipal e nacional nos sistemas de aviso, resposta e recuperação.

“Portugal não pode normalizar a exceção. A reconstrução é necessária, mas não pode transformar-se num ciclo infinito de remendos”, sublinha o diretor da organização, defendendo uma transformação estrutural que ataque as causas profundas da crise climática e reduza efetivamente os riscos futuros.

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