Vai ser apresentada na BTL a plataforma digital ORVE – Otimização de Recursos e Valorização da Experiência, uma solução multifuncional ‘all in one’, inovadora, baseada numa plataforma e numa App, que une destinos, empresas e cidadãos para um turismo mais sustentável e inovador, foi divulgado em comunicado.
Segundo a mesma fonte, concebida para apoiar a sustentabilidade dos destinos turísticos, a plataforma foi criada no âmbito do projeto FAST – Ferramentas de Apoio à Sustentabilidade no Turismo, integrado na Agenda Operacional e Inteligente para a Sustentabilidade (Programa PRR), liderado pelo polo do CiTUR – Centro de Investigação, Desenvolvimento e Inovação em Turismo, sediado na Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM) do Politécnico de Leiria, em Peniche.
“Os destinos turísticos enfrentam uma forte pressão sobre os seus recursos, com sobrecargas em determinados pontos de interesse, a par do subaproveitamento de recursos em outros locais. Tal situação deve-se, em parte, à falta de integração entre dados ambientais, empresariais e de consumo, bem como à dificuldade das empresas em medir e comunicar práticas sustentáveis e à ausência de reconhecimento claro dos seus esforços. O resultado é um sistema fragmentado, onde turistas, empresas e gestores de destinos atuam em silos independentes, sem acesso a informação fiável e holística. É, por isso, crucial apostarmos na partilha de informação e na promoção da viabilidade das atividades económicas a longo prazo, respeitando a autenticidade sociocultural das comunidades e fazendo um uso adequado do território e dos recursos naturais”, explica Francisco Dias, coordenador científico do projeto FAST e docente da ESTM.
O ORVE integra três níveis de utilizadores: consumidores (turistas e residentes), empresas e instituições, e Entidades Gestoras de Destinos (EGD), permitindo um fluxo de informação bidirecional e partilha de experiências em tempo real.
Nesta plataforma, os consumidores fornecem dados sobre os seus consumos de energia, água, transportes e pegada de carbono, permitindo às EGD implementar uma Gestão Inteligente da Mobilidade, medir fluxos turísticos e analisar a densidade e pressão turística. Além disso, contribuem com avaliações, recomendações e sugestões, promovendo uma experiência mais informada e participativa, ao mesmo tempo que participam num fórum de partilha de boas práticas e dicas de sustentabilidade, melhorando a experiência turística e oferecendo informação fidedigna a outros utilizadores.
Por sua vez, as empresas recolhem e analisam tanto os consumos individuais dos clientes como os seus próprios consumos globais, criando uma base de dados sólida que apoia uma gestão mais eficiente dos recursos. A integração destes dados permite ultrapassar limitações do modelo tradicional top-down, adotando políticas adaptadas às necessidades concretas de cada destino.
No topo da plataforma, as EGD utilizam os dados recebidos para monitorizar impactos ambientais e sociais, gerir a mobilidade turística e implementar estratégias sustentáveis adaptadas à realidade local. As práticas adotadas por consumidores e empresas alimentam mecanismos de reconhecimento e mérito, como selos de sustentabilidade, oferecendo indicadores de performance que apoiam a avaliação contínua do desempenho ambiental e social do destino, além de permitirem comparações com outras regiões, promovendo uma lógica de coopetição orientada para a melhoria contínua.
“Através de um ecossistema interligado, que combina monitorização bottom-up pelos utilizadores, disseminação top-down pelas EGD e partilha de experiências de forma horizontal entre todos, o ORVE representa uma solução integradora que promove uma gestão turística mais sustentável, participativa e eficiente, incentivando a adoção de práticas responsáveis e contribuindo para a valorização da experiência de todos os stakeholders”, destaca Francisco Dias.
Para o investigador, o ORVE “cria um ciclo virtuoso de sustentabilidade: apoia empresas a serem mais eficientes e competitivas, atrai turistas conscientes de maior valor, envolve cidadãos em voluntariado e reforça a confiança comunitária. Ao mesmo tempo, reduz as pegadas de carbono e água, gere fluxos de forma equilibrada e promove práticas responsáveis. Um impacto económico, social e ambiental que transforma destinos em referências de inovação sustentável”.
O projeto FAST visa contribuir para que o turismo sustentável promova a viabilidade das atividades económicas a longo prazo, respeitando a autenticidade sociocultural das comunidades e fazendo um uso adequado do território e dos recursos naturais, considerando-se de extrema importância a monitorização constante dos impactos da atividade turística, assim como a manutenção de um elevado nível de satisfação, quer dos visitantes, quer dos residentes. Para tal, “é importante que as empresas do setor não só adotem políticas e práticas responsáveis na dimensão interna e externa, ao nível económico e social, mas também projetem práticas inovadoras que assegurem experiências turísticas no âmbito dos princípios da sustentabilidade”.
Mais informações sobre o projeto FAST e o ORVE estão disponíveis em https://projetofast.pt/.









