Investigadores do IPLeiria lançam plataforma inovadora que une destinos, empresas e cidadãos para um turismo mais sustentável

Plataforma ORVE será apresentada na BTL, na Arena Talks da Turismo Centro de Portugal, no próximo dia 26 de fevereiro.

Redação

Vai ser apresentada na BTL a plataforma digital ORVE – Otimização de Recursos e Valorização da Experiência, uma solução multifuncional ‘all in one’, inovadora, baseada numa plataforma e numa App, que une destinos, empresas e cidadãos para um turismo mais sustentável e inovador, foi divulgado em comunicado.

Segundo a mesma fonte, concebida para apoiar a sustentabilidade dos destinos turísticos, a plataforma foi criada no âmbito do projeto FAST – Ferramentas de Apoio à Sustentabilidade no Turismo, integrado na Agenda Operacional e Inteligente para a Sustentabilidade (Programa PRR), liderado pelo polo do CiTUR – Centro de Investigação, Desenvolvimento e Inovação em Turismo, sediado na Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM) do Politécnico de Leiria, em Peniche.

“Os destinos turísticos enfrentam uma forte pressão sobre os seus recursos, com sobrecargas em determinados pontos de interesse, a par do subaproveitamento de recursos em outros locais. Tal situação deve-se, em parte, à falta de integração entre dados ambientais, empresariais e de consumo, bem como à dificuldade das empresas em medir e comunicar práticas sustentáveis e à ausência de reconhecimento claro dos seus esforços. O resultado é um sistema fragmentado, onde turistas, empresas e gestores de destinos atuam em silos independentes, sem acesso a informação fiável e holística. É, por isso, crucial apostarmos na partilha de informação e na promoção da viabilidade das atividades económicas a longo prazo, respeitando a autenticidade sociocultural das comunidades e fazendo um uso adequado do território e dos recursos naturais”, explica Francisco Dias, coordenador científico do projeto FAST e docente da ESTM.

O ORVE integra três níveis de utilizadores: consumidores (turistas e residentes), empresas e instituições, e Entidades Gestoras de Destinos (EGD), permitindo um fluxo de informação bidirecional e partilha de experiências em tempo real.

Nesta plataforma, os consumidores fornecem dados sobre os seus consumos de energia, água, transportes e pegada de carbono, permitindo às EGD implementar uma Gestão Inteligente da Mobilidade, medir fluxos turísticos e analisar a densidade e pressão turística. Além disso, contribuem com avaliações, recomendações e sugestões, promovendo uma experiência mais informada e participativa, ao mesmo tempo que participam num fórum de partilha de boas práticas e dicas de sustentabilidade, melhorando a experiência turística e oferecendo informação fidedigna a outros utilizadores.

Por sua vez, as empresas recolhem e analisam tanto os consumos individuais dos clientes como os seus próprios consumos globais, criando uma base de dados sólida que apoia uma gestão mais eficiente dos recursos. A integração destes dados permite ultrapassar limitações do modelo tradicional top-down, adotando políticas adaptadas às necessidades concretas de cada destino.

No topo da plataforma, as EGD utilizam os dados recebidos para monitorizar impactos ambientais e sociais, gerir a mobilidade turística e implementar estratégias sustentáveis adaptadas à realidade local. As práticas adotadas por consumidores e empresas alimentam mecanismos de reconhecimento e mérito, como selos de sustentabilidade, oferecendo indicadores de performance que apoiam a avaliação contínua do desempenho ambiental e social do destino, além de permitirem comparações com outras regiões, promovendo uma lógica de coopetição orientada para a melhoria contínua.

“Através de um ecossistema interligado, que combina monitorização bottom-up pelos utilizadores, disseminação top-down pelas EGD e partilha de experiências de forma horizontal entre todos, o ORVE representa uma solução integradora que promove uma gestão turística mais sustentável, participativa e eficiente, incentivando a adoção de práticas responsáveis e contribuindo para a valorização da experiência de todos os stakeholders”, destaca Francisco Dias.

Para o investigador, o ORVE “cria um ciclo virtuoso de sustentabilidade: apoia empresas a serem mais eficientes e competitivas, atrai turistas conscientes de maior valor, envolve cidadãos em voluntariado e reforça a confiança comunitária. Ao mesmo tempo, reduz as pegadas de carbono e água, gere fluxos de forma equilibrada e promove práticas responsáveis. Um impacto económico, social e ambiental que transforma destinos em referências de inovação sustentável”.

O projeto FAST visa contribuir para que o turismo sustentável promova a viabilidade das atividades económicas a longo prazo, respeitando a autenticidade sociocultural das comunidades e fazendo um uso adequado do território e dos recursos naturais, considerando-se de extrema importância a monitorização constante dos impactos da atividade turística, assim como a manutenção de um elevado nível de satisfação, quer dos visitantes, quer dos residentes. Para tal, “é importante que as empresas do setor não só adotem políticas e práticas responsáveis na dimensão interna e externa, ao nível económico e social, mas também projetem práticas inovadoras que assegurem experiências turísticas no âmbito dos princípios da sustentabilidade”.

Mais informações sobre o projeto FAST e o ORVE estão disponíveis em https://projetofast.pt/.

 

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