Jatos privados: Reino Unido e França são os países europeus que mais poluem

Embora o número de pessoas que tem jatos privados e que se desloca com este meio de transporte seja reduzido, isso não significa que o seu impacto no ambiente seja na mesma medida. O novo relatório da Transport& Environment (T&E) revela, entre outros resultados, que estes voos correspondem a 50% das emissões globais da aviação.

De acordo com os dados disponibilizados pelo documento, os jatos privados poluem 5 a 14 vezes mais que um avião comercial, e 50 vezes mais do que um comboio. Além disso, as emissões de dióxido de carbono (CO2) dos jatos privados europeus aumentaram 31% entre 2005 e 2019. Um voo de quatro horas emite o equivalente à media de uma pessoa em meio ano.

Entre os países europeus, o Reino Unido e a França são os que mais poluem através deste meio de transporte privado, representando quase 40% das emissões provocadas pelo mesmo no Continente. Portugal também aparece no ranking dos 10 países mais poluentes em 9.º lugar, representando 2,3% das emissões de CO2.

O relatório faz três recomendações, para reduzir a pegada carbónica provocada por estes viajantes:

  1. Até 2030 se implemente a regra de que apenas aeronaves elétricas ou movidas a hidrogénio verde possam voar abaixo de 1.000 km dentro da Europa;
  2. Até ao mesmo ano, e até que a lei mencionada no ponto anterior entre em vigor, seja dado um imposto com base na distância do voo e no peso da aeronave de todos os voos que partam da Europa;
  3. Até ao desenvolvimento de novas tecnologias, os proprietários e as companhias devem reduzir substancialmente o uso dos jatos privados.

Andrew Murphy, Diretor de aviação da T&E, afirma: “Voar num jato particular é provavelmente a pior coisa que se pode fazer pelo meio ambiente, e ainda assim os super-ricos super poluidores estão a voar por aí como se não houvesse crise climática” aponta, acrescentando “mas como a maioria das distâncias que atraem voos privados são distâncias idealmente adequadas para a primeira geração de aeronaves de baixa emissão, os voos privados podem ser usados ​​de forma construtiva para limpar o setor. Este pode ser o momento Tesla da aviação. Os legisladores europeus precisam de começar a taxar com urgência os jatos particulares movidos a combustível fóssil e proibir o seu uso até 2030. Parte da receita obtida com os aviões particulares poderia então ser investida em tecnologia mais verde que poderia limpar os voos para todos”, conclui.

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