Lua de Júpiter Europa poderá não ter atividade tectónica profunda necessária à vida



Uma nova investigação internacional vem lançar dúvidas sobre a possibilidade de existência de vida no oceano subterrâneo de Europa, uma das luas de Júpiter. De acordo com um estudo publicado na revista científica Nature Communications, é pouco provável que exista atualmente atividade tectónica significativa no fundo oceânico deste satélite gelado — um fator considerado importante para sustentar ambientes habitáveis.

Na Terra, a tectónica do fundo do mar desempenha um papel fundamental na criação de habitats propícios à vida, através de interações entre a água e as rochas que libertam energia química. Estes processos, comuns em zonas como as fontes hidrotermais, são vistos como um dos indicadores de que um ambiente pode suportar formas de vida. Europa, que se acredita albergar um vasto oceano sob a sua crosta de gelo, tem sido apontada como um dos locais mais promissores do Sistema Solar para a procura de vida extraterrestre.

No entanto, a nova investigação sugere que esse potencial poderá ser mais limitado do que se pensava. A equipa de cientistas, liderada por Paul Byrne, recorreu a modelos computacionais avançados para avaliar a possibilidade de atividade tectónica no oceano subterrâneo de Europa. Os investigadores analisaram vários mecanismos que poderiam gerar falhas e fraturas no fundo do mar, incluindo forças de maré provocadas por Júpiter, contração global da lua, convecção do manto e processos de serpentinização — uma reação geológica entre rochas e água.

Os resultados indicam que nenhum destes processos é suficientemente intenso para provocar atividade tectónica ativa no fundo oceânico de Europa, nem mesmo ao longo de fraturas pré-existentes. Segundo os autores, isto significa que as interações entre a água do oceano e as rochas do fundo marinho — consideradas cruciais para fornecer energia química à vida — deverão ocorrer apenas nas camadas mais superficiais, limitadas aos primeiros poucos centenas de metros do leito oceânico.

Esta conclusão contraria hipóteses anteriores que apontavam para a possibilidade de atividade vulcânica ou tectónica profunda em Europa e reduz as perspetivas de existência de ecossistemas semelhantes aos que se encontram nas profundezas dos oceanos terrestres.

Ainda assim, os investigadores sublinham que Europa continua a ser um objeto de grande interesse científico. Futuras missões, como a missão Europa Clipper da NASA, lançada em 2024, deverão recolher dados diretos sobre a geologia e a estrutura interna da lua. Os autores defendem que a procura de condições habitáveis em Europa deverá centrar-se em ambientes que não dependam de tectónica ativa no fundo do oceano, abrindo caminho a novas abordagens na exploração astrobiológica deste mundo gelado.






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