Mais de 70% dos recifes de coral no Atlântico ocidental deixarão de crescer até 2040. Se o aquecimento global ultrapassar os dois graus Celsius, face a níveis pré-industriais, então quase todos deixarão de crescer até ao final do século.
A conclusão é uma investigação realizada por 15 cientistas, liderada pela Universidade de Exeter (Reino Unido), cujos resultados foram publicados esta semana na revista ‘Nature’.
Dizem os investigadores que as alterações climáticas, conjugadas com outros fatores que também a elas podem estar associados, como surtos de doenças e a deterioração da qualidade das águas marinhas, reduzem a taxa de crescimento dos recifes.
“A nossa investigação mostra que no atual cenário de emissões de [dióxido de carbono] a maioria dos recifes de coral do Atlântico não só deixarão de crescer, como muitos estarão mesmo em fase de erosão até meados do século”, aponta, em comunicado, Chris Perry, primeiro autor do artigo.
O investigador diz também que a subida do nível médio do mar terá impactos nos recifes, fazendo aumentar a profundidade a que se encontram e retardando o seu crescimento. Com mais água acima dos corais, a quantidade de luz solar que sobre eles incide e que alimenta os processos fotossintéticos essenciais para as algas simbióticas de que eles dependem poderá ser menor.
Além disso, a subida dos mares em áreas de recifes de coral aumentará o risco de inundações da costa e alterará “fundamentalmente” os ecossistemas costeiros.
“Estamos a assistir a um declínio alarmante da abundância e da diversidade dos corais nos recifes do Atlântico”, sublinha Lorenzo Alvarez-Filip, da Universidad Nacional Autonoma de México e coautor do estudo.
“As alterações climáticas não estão apenas a acelerar esse declínio, mas também a agravar as consequências ecológicas e socioeconómicas da sua perda”, acrescenta.
Para se evitarem os piores cenários, os investigadores dizem que é preciso investir fortemente em ações de restauros dos recifes de coral, conjuntamente com grandes reduções nas emissões de gases com efeito de estufa e com políticas eficazes de gestão da água e do território.









